Boletos atrasados poderão ser pagos em qualquer banco após criação de nova plataforma
Valter Campanato/Agência Brasil
Boletos atrasados poderão ser pagos em qualquer banco após criação de nova plataforma

Mais de duas semanas após o lançamento do novo Desenrola Brasil, parte dos bancos digitais e fintechs ainda não começou a oferecer oficialmente as renegociações previstas pelo programa do governo federal. Algumas instituições afirmam que seguem realizando adaptações internas e prometem liberar a função nos próximos dias.

A principal dificuldade envolve a conexão com o FGO (Fundo de Garantia de Operações), mecanismo criado pelo governo para cobrir possíveis calotes após os acordos feitos pelas instituições financeiras. Segundo pessoas ligadas ao setor, muitos bancos menores ainda precisaram concluir etapas de homologação e adaptar seus sistemas para operar dentro das regras do programa.

O novo Desenrola foi lançado no último dia 4 de maio pelo Ministério da Fazenda e prevê um prazo de 90 dias para renegociação de dívidas bancárias. A iniciativa permite descontos, parcelamentos e também o uso do FGTS para ajudar na redução dos débitos. Apesar disso, a liberação do fundo ainda não começou e deve ocorrer apenas a partir do próximo dia 25.

Nos primeiros dias após o lançamento, até bancos tradicionais operaram com limitaçõe s. Em alguns casos, os clientes conseguiam apenas realizar pré-cadastro ou consultar propostas iniciais de negociação.

Entre as fintechs, a adesão continua acontecendo aos poucos. Segundo a Zetta, associação que representa bancos digitais e empresas do setor, as instituições associadas aderiram ao programa, mas a liberação das ofertas depende dos processos internos de cada companhia.

Já a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que grande parte das instituições participantes já disponibilizou o novo Desenrola aos clientes. A entidade afirma que não houve problemas generalizados na implementação, embora algumas empresas ainda enfrentem questões pontuais nos sistemas.

Enquanto os grandes bancos conseguiram avançar mais rapidamente por já possuírem estrutura preparada para esse tipo de operação, parte das fintechs ainda trabalha para finalizar a conexão com a plataforma do governo. C6 Bank, Neon, Mercado Pago e PagBank estão entre as instituições que relataram ajustes internos antes da liberação completa do serviço.

C6 Bank informou que ainda finaliza a entrada no sistema do programa e que deve liberar as renegociações em breve. Enquanto isso, o banco segue oferecendo condições próprias para clientes inadimplentes, com parcelamentos em até 72 vezes.

Mercado Pago também confirmou participação no novo Desenrola, mas afirmou que ainda avalia os procedimentos necessários antes de divulgar oficialmente os canais e condições disponíveis aos clientes.

Já a Neon informou que está na fase final de implementação e espera liberar as ofertas especiais de renegociação nos próximos dias. Segundo a empresa, os clientes elegíveis serão avisados pelos canais oficiais da instituição.

O PagBank afirmou que participa do programa, mas que a operação ainda acontece de forma limitada enquanto as adaptações tecnológicas são concluídas. Atualmente, parte das negociações segue sendo feita diretamente pelo aplicativo e pelo portal da empresa.

O Nubank informou que já participa normalmente do programa conforme as regras definidas pelo governo federal. Segundo a instituição, uma área exclusiva do novo Desenrola começou a ser liberada gradualmente no aplicativo para facilitar o acesso às propostas.

O PicPay também afirmou que já disponibiliza renegociações dentro das condições especiais do programa. Entre as dívidas mais negociadas até agora estão cartão de crédito, empréstimos pessoais e contratos antigos em atraso.

Já o Inter declarou que realiza renegociações pelo novo Desenrola desde o último dia 7 de maio. As ofertas podem ser acessadas tanto pelo aplicativo quanto pelo site oficial do banco.

O Digio, banco digital ligado ao Bradesco, informou que registrou aumento de 30% na procura por renegociações desde o lançamento do programa. Segundo a instituição, os acordos podem ser feitos por aplicativo, WhatsApp e SMS.

Mesmo com o avanço das adesões, consumidores ainda relatam dificuldades para encontrar propostas dentro dos aplicativos de algumas fintechs. Em alguns casos, clientes afirmam que recebem mensagens de indisponibilidade ou não conseguem acessar as ofertas prometidas.

Entidades de defesa do consumidor também alertam para golpes envolvendo renegociações falsas. Criminosos têm criado páginas que imitam o portal oficial do programa para tentar aplicar fraudes. A orientação é que os consumidores realizem negociações apenas pelos canais oficiais dos bancos ou pelas plataformas do governo federal.

O programa atende pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas vencidas entre 91 dias e dois anos. As instituições participantes podem oferecer descontos entre 30% e 90% do valor original das dívidas.

A expectativa do  Ministério da Fazenda é normalizar o funcionamento do programa nos próximos dias em todo o sistema financeiro , ampliando o número de renegociações antes do encerramento oficial da iniciativa.

*Estagiária sob supervisão


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