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Acordo com SkyWest foi assinado nesta quinta-feira (31); de acordo com a Embraer, negociação prevê aeronaves configuradas com 76 assentos; lembre a negociação de fusão da empresa brasileira com a Boeing e entenda situação

Embraer anunciou a venda de nove jatos à norte-americana SkyWest
Divulgação/Embraer
Embraer anunciou a venda de nove jatos à norte-americana SkyWest

A Embraer assinou nesta quinta-feira (31) a venda de nove jatos E175 para a companhia norte-americana SkyWest, pelo valor de US$ 422 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão. As aeronaves começam a ser entregues ainda neste ano, segundo o acordo.

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Segundo a Embraer , a transação prevê que as aeronaves sejam configuradas com 76 assentos. Nos últimos seis anos, a empresa já comprou 158 jatos deste modelo, que opera voos regionais na própria América do Norte.

A SkyWest opera por meio de parcerias com United Airlines, Delta, American Airlines e Alaska Airlines. De acordo com a companhia aérea brasileira, há ao todo 603 pedidos do modelo E175, dos quais 92 deles ainda não foram entregues.

A Embraer anuncia a venda em meio ao período de espera pela aprovação de seu acordo de fusão com a também norte-americana Boeing.

Acordo entre Embraer e Boeing

Embraer e Boeing anunciaram acordo de fusão, que ainda não foi aprovado
Divulgação/Embraer
Embraer e Boeing anunciaram acordo de fusão, que ainda não foi aprovado

Aprovada em dezembro de 2018 pelas duas empresas envolvidas, a fusão, que busca criar uma joint venture na área de aviação comercial. O acordo, no entanto, ainda não saiu do papel.

Avaliado em US$ 5,26 bilhões, o negócio prevê que a  Boeing terá 80% de participação na Nova Sociedade após fazer pagamento de US$ 4,2 bilhões à Embraer. Os 20% restantes serão da fabricante brasileira, que terá poder para vender sua parte para os norte-americanos a qualquer momento, caso haja interesse.

Privatizada em 1994, no fim do governo de Itamar Franco, a Embraer mantém desde então uma golden share, que é uma ação exclusiva imposta pelo Estado responsável por garantir ao governo brasileiro poder de veto em decisões específicas.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) já se pronunciou sobre o assunto , afirmando que entende a necessidade e a vontade da Embraer de se unir à Boeing, que o governo deve aprovar a fusão, mas que o negócio aprovado pelas companhias é mais favorável aos norte-americanos, afirmando que "Seria boa essa fusão, mas não podemos, como está na última proposta, deixar que em cinco anos tudo seja repassado para o outro. A proposta é essa, [a Embraer] é nosso patrimônio."

Enquanto a negociação não sai, outras entidades e um partido político já se opuseram ao acordo. O  Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e o  Partido Democrático Trabalhista (PDT) defendem que a fusão representa um "risco à soberania nacional" por prever "a completa transferência [aos americanos] de tecnologias fundamentais para segurança nacional."

Por que Embraer e Boeing querem se unir e como funcionaria a joint venture

Governo brasileiro detem golden share para vetar decisões específicas no acordo entre Embraer e Boeing
Divulgação/Boeing
Governo brasileiro detem golden share para vetar decisões específicas no acordo entre Embraer e Boeing

Em caso de aprovação da fusão, a Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa, que responderá diretamente ao presidente e CEO da empresa, Dennis Muilenburg. A joint venture , se aprovada, será liderada por uma equipe de executivos no Brasil.

A Embraer terá poder de decisão para temas específicos que foram definidos em conjunto, como a transferência das operações do Brasil. A empresa espera um resultado de aproximadamente US$ 3 bilhões com a operação, descontados os custos de separação. Em 2017, a área de aviação comercial da Embraer representava 57,6% da receita líquida da companhia, ou seja, US$ 10,7 bilhões de um total de US$ 18,7 bilhões.

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Embraer e Boeing buscam, juntas, unir o melhor de cada uma e organizar uma grande e forte empresa, que seja capaz de competir internacionalmente e se destacar no setor de aviação. Enquanto a companhia brasileira lidera o mercado de jatos regionais, com aeronaves equipadas para voar distâncias menores, a gigante norte-americana é a principal fabricante de aeronaves comerciais para voos longos.