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Sindicalistas questionaram os termos do acordo firmado pelas empresas: "Os EUA não dão nada de graça para a gente, por que nós vamos fazer isso?”

A reação dos metalúrgicos foi motivada pela aprovação, por parte de Boeing e Embraer, do contrato anunciado em julho
Divulgação/Embraer
A reação dos metalúrgicos foi motivada pela aprovação, por parte de Boeing e Embraer, do contrato anunciado em julho

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos criticou, nesta segunda-feira (17), o acordo de fusão entre Boeing e Embraer para a criação de duas empresas – uma na área de aviação comercial, outra para promover novos mercados para o avião cargueiro KC-390. Para a entidade, o negócio afeta a soberania nacional por "entregar" um projeto brasileiro aos norte-americanos.

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A reação dos metalúrgicos foi motivada pela aprovação, anunciada hoje por parte de Boeing e Embraer , dos termos do contrato firmado pelas duas empresas em julho. O acordo prevê a criação de uma nova empresa – ou joint venture – na área de aviação comercial, cuja maior parte (80%) pertenceria à fabricante norte-americana e a menor (20%), à empresa brasileira.

O negócio, mesmo acordado entre as duas companhias, ainda precisa do aval do governo brasileiro para ser validado. Isso porque a União detém uma participação qualificada na Embraer, por meio daquilo que o mercado chama de  golden share , e essa ação especial lhe dá o poder de veto em decisões estratégicas.

A nova empresa, que está sendo chamada de JV Aviação Comercial ou Nova Sociedade, está avaliada em US$ 5,26 bilhões, pouco mais de 10% acima do valor inicialmente estimado (US$ 4,75 bilhões). Para os sindicalistas, porém, o acordo não é uma cooperação, e sim uma venda. "A porcentagem entregue para a Boeing é muito maior. Tiramos das mãos do Brasil a força intelectual de produção”, disse Hebert Carlos, representante da Embraer.

Os metalúrgicos também questionam o acordo para a criação de uma nova empresa que será responsável por promover e desenvolver novos mercados para o avião militar multimissão KC-390. De acordo com os termos da parceria, a Embraer terá controle majoritário (51%) sobre o negócio, mas os sindicalistas acreditam que o projeto, pertencente ao governo brasileiro, estaria sendo entregue aos norte-americanos.

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“Construímos um projeto de defesa de sucesso e estamos dando isso para o governo norte-americano. O KC-390 foi construído 80% com verba federal e estamos dando 49% disso para o exterior. A soberania nacional está afetada com isso. Os Estados Unidos não dão nada de graça para a gente, por que vamos fazer isso?”, contestou Hebert.

Boeing e Embraer se justificam

Caso a parceria seja aprovada no tempo previsto, a Embraer espera que a negociação seja concluída até o final de 2019
Divulgação/Boeing
Caso a parceria seja aprovada no tempo previsto, a Embraer espera que a negociação seja concluída até o final de 2019

A Boeing tem receita anual cerca de 16 vezes maior que a Embraer. Em 2017, a empresa norte-americana arrecadou US$ 93,3 bilhões; a brasileira, apenas US$ 5,8 bilhões. A primeira é a principal fabricante de aeronaves comerciais para voos longos, enquanto a segunda lidera o mercado de jatos regionais.

A expectativa é de que um acordo entre Boeing e Embraer possa criar uma gigante global de aviação capaz de bater de frente com Airbus e Bombardier, que se uniram de forma semelhante em 2017 e hoje são suas maiores concorrentes.

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Caso a parceria seja aprovada pelo governo brasileiro no tempo previsto, a Embraer espera que a negociação seja concluída até o final de 2019.

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