
O Governo Federal antecipou o calendário de pagamentos do Bolsa Família de outubro. Com a mudança, todos os beneficiários receberão o valor reajustado até quarta-feira (21), antes do segundo turno das eleições presidenciais que acontece domingo (25).
A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (19) pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome ( MDS). De acordo com o Governo, essa medida tem caráter preventivo e busca reduzir os possíveis impactos climáticos.
Com a alteração, os depósitos, que estavam previstos para ocorrer até 30 de outubro, serão concluídos ainda nesta semana. A antecipação também será aplicada aos pagamentos de novembro e dezembro.
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Como fica o calendário de outubro?
De praxe, o Bolsa Família é pago nos últimos dez dias úteis de cada mês, de acordo com o último número do Número de Identificação Social (NIS) de cada beneficiário. Com a mudança, o cronograma de outubro foi concentrado em apenas três dias.
Confira as datas:
- Segunda-feira (19): beneficiários com NIS final 1;
- Terça-feira (20): beneficiários com NIS final 2;
- Quarta-feira (21): beneficiários com NIS final de 3 a 0, contemplando todos os demais grupos.

Esta unificação do calendário permitirá que todas as famílias recebam o benefício antes da votação do segundo turno.
Onde consultar o número do NIS?
Para quem não sabe qual é o final do NIS, existem algumas maneiras simples de consultar. O número aparece no cartão do Bolsa Família ou no Cartão Cidadão e também pode ser encontrado pelos canais digitais do Cadastro Único ( CadÚnico).
Outra opção é o aplicativo Caixa Tem, utilizado por muitos beneficiários para movimentar o dinheiro e consultar informações sobre o pagamento.
Caso não consiga localizar o número por meios digitais, procure um Centro de Referência de Assistência Social ( CRAS), levando os documentos pessoais. É possível também buscar informações pelos telefones 111, da Caixa Econômica Federal, e 121, do Disque Social.
Benefício passa a ter valor mínimo de R$ 691
Além da antecipação, os pagamentos de outubro que começaram na data de hoje (19) já incluem o reajuste de 15% anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 17 de setembro.
Com a mudança, o valor mínimo por família passou de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, que estava em R$ 678,18 em setembro, também aumentou. Segundo os dados divulgados pelo governo, a média prevista para outubro é de R$ 782,92.
Neste mês, o programa deve atender em torno de 19,3 milhões de famílias. Com o reajuste, os gastos mensais com o Bolsa Família passaram de aproximadamente R$ 13 bilhões para R$ 15 bilhões.
Conforme o Governo, o aumento busca recompor a perda do poder de compra acumulada desde junho de 2023, quando o programa voltou oficialmente a se chamar Bolsa Família.
Entenda como funciona o reajuste
O Bolsa Família é composto por diferentes benefícios, calculados conforme a quantidade de integrantes da família e a presença de crianças, adolescentes e gestantes. Por isso, o valor final recebido pode variar de uma família para outra.
Confira os novos valores:
- Benefício de Renda da Cidadania: passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante da família.
- Benefício Primeira Infância: aumenta de R$ 150 para R$ 173 por criança de até seis anos.
- Benefício Variável Familiar: passa de R$ 50 para R$ 58 por integrante que se enquadre nas regras do programa, incluindo gestantes, lactantes, crianças e adolescentes de 7 a 17 anos.
- Benefício Complementar: garante que o valor total recebido pela família alcance o mínimo de R$ 691. Caso a soma dos demais benefícios fique abaixo desse patamar, o Governo paga a diferença.
O reajuste, conforme o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, foi possível após a revisão dos cadastros e o combate a irregularidades no programa.
Quanto o reajuste vai custar aos cofres públicos?
O aumento deve gerar despesa adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando os pagamentos a partir deste mês de outubro. Para 2027, o impacto estimado é de R$ 22 bilhões.
De acordo com Moretti, o Governo pretende cobrir os custos de 2026 com o remanejamento de recursos de áreas que apresentam sobras orçamentárias, sem aumentar o limite total de gastos. Para o próximo ano, a previsão é adotar uma estratégia semelhante, com ajustes no Orçamento que ainda serão encaminhados ao Congresso Nacional.
Quem tem direito ao Bolsa Família?
Para ingressar no programa, a principal exigência é que a renda mensal por pessoa da família seja de, no máximo, R$ 218.
O cálculo é apenas somar a renda de todos os integrantes da casa e dividir o resultado pelo número de moradores. Se o valor por pessoa não ultrapassar o limite estabelecido, a família poderá se enquadrar no critério de renda do programa, desde que cumpra as demais exigências e esteja com o cadastro regularizado.
Por que o Governo antecipou os pagamentos?
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, a antecipação foi motivada pela previsão de possíveis efeitos do super El Niño, fenômeno climático que pode intensificar alterações no regime de chuvas em diferentes regiões do país.
As projeções para o último trimestre do ano, indicam possibilidade de estiagem em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já partes do Sul, do Sudeste e do leste do Nordeste podem registrar chuvas acima da média, aumentando o risco de alagamentos e enchentes.
O ministério também informou que, em agosto e setembro deste ano, foram registrados 518 reconhecimentos federais de situação de emergência ou estado de calamidade pública, mais que o dobro dos 253 contabilizados no mesmo período de 2025. O aumento foi atribuído principalmente às tempestades na Região Sul.
Conforme a pasta, a antecipação busca reduzir os possíveis prejuízos desses eventos para as famílias mais vulneráveis, garantindo que os recursos cheguem mais cedo.
Embora a justificativa oficial esteja relacionada à prevenção dos impactos climáticos, a mudança no calendário também faz com que todos os beneficiários recebam o Bolsa Família já com o reajuste antes do segundo turno das eleições presidenciais.
Fique atento aos golpes
Com a antecipação dos pagamentos, os beneficiários também devem ficar atentos às tentativas de golpe. Mensagens enviadas por SMS, WhatsApp ou redes sociais podem prometer a liberação de valores extras ou solicitar a atualização do cadastro por meio de links suspeitos.
Para evitar problemas, não clique em links desconhecidos, não informe senhas ou códigos de confirmação e não compartilhe seus dados pessoais com pessoas que prometem liberar o benefício mediante pagamento de taxas. As consultas devem ser feitas pelos canais oficiais.
O Governo Federal também possui um canal destinado ao recebimento de denúncias sobre fraudes e golpes digitais.
Para fazer uma denúncia, acesse o canal Sem Fraude, do Governo Federal.