Após nova alta da Selic, Brasil só fica atrás da Rússia em juros reais
Felipe Moreno
Após nova alta da Selic, Brasil só fica atrás da Rússia em juros reais

O Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central decidiu na última quarta-feira (16)  elevar a taxa básica de juros em 1 ponto percentual. A Selic passou de 10,75% ao ano para 11,75% ao ano, maior patamar desde 2017. Com a nova alta, o Brasil ficou em segundo lugar em um ranking de 40 países com as maiores taxas de juros reais, ficando atrás apenas da Rússia.

O levantamento é feito pela gestora de recursos Infinity Asset, em parceria com o portal MoneYou.

Os juros reais consideram a taxa de juros nominal descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses. No Brasil, os juros reais atingiram 7,1%. 

Entre no  canal do Brasil Econômico no Telegram e fique por dentro de todas as notícias do dia

O país já havia ocupado a liderança em fevereiro, mas caiu para a segunda posição depois que a Rússia elevou sua taxa nominal de juros para 20%, em uma tentativa de conter a desvalorização do rublo, diante da guerra na Ucrânia.

"Quando a taxa Selic aumenta, a tendência é que outras taxas de juros também aumentem. Ou seja, quem precisa fazer parcelamentos, financiamento ou outras dívidas tende a pagar juros maiores e, consequentemente, uma conta maior. Imagina os juros de cheque especial ou de cartão de crédito, por exemplo, que já são exorbitantes? Eles devem aumentar ainda mais", explica o doutor em educação financeira, Reinaldo Domingos.

Veja o ranking de países com as maiores taxas de juros reais

  1. Rússia: 30,70%
  2. Brasil: 7,10%
  3. Colômbia: 3,65%
  4. Chile: 3,64%
  5. México: 2,62%
  6. Turquia: 1,44%
  7. Hungria: 1,22%
  8. Indonésia: 1,00%
  9. África do Sul: 0,46%
  10. China: -0,01%
  11. Malásia: -0,05%
  12. Filipinas: -0,14%
  13. Hong Kong: -0,74%
  14. Índia: -0,90%
  15. Japão: -0,95%
  16. Suíça: -0,98%
  17. Israel: -1,40%
  18. Taliândia: -1,49%
  19. Nova Zelândia: -1,76%
  20. República Tcheca: -1,76%
  21. Córeia do Sul: -1,79%
  22. Reino Unido: -1,86%
  23. Polônia: -1,89%
  24. Suécia: -2,14%
  25. Cingapura: -2,20%
  26. Dinamarca: -2,30%
  27. Austrália: -2,34%
  28. Grécia: -2,62%
  29. Áustria: -3,19%
  30. Portugal: -3,38%
  31. Taiwan: -3,48%
  32. Canadá: -2,31%
  33. França: -3,84%
  34. Estados Unidos: -4,28%
  35. Alemanha: -4,85%
  36. Holanda: -5,03%
  37. Espanha: -5,12%
  38. Itália: -5,35%
  39. Bélgica: -5,48%
  40. Argentina: -15,20%

Considerando os juros nominais, o Brasil tem a quarta maior taxa, perdendo apenas para a Argentina, Rússia e Turquia.

Veja o ranking de países com as maiores taxas de juros nominais

  1. Argentina: 42,50%
  2. Rússia: 20,00%
  3. Turquia: 14,00%
  4. Brasil: 11,75%
  5. México: 6,00%
  6. Chile: 5,50%
  7. Índia: 5,40%
  8. República Tcheca: 4,50%
  9. China: 4,35%
  10. África do Sul: 4,00%
  11. Colômbia: 4,00%
  12. Indonésia: 3,50%
  13. Polônia: 3,50%
  14. Hungria: 3,40%
  15. Filipinas: 2,00%
  16. Malásia: 1,75%
  17. Coreia do Sul: 1,25%
  18. Taiwan: 1,13%
  19. Canadá: 0,50%
  20. Nova Zelândia: 1,00%
  21. Hong Kong: 0,86%
  22. Reino Unido: 0,75%
  23. Tailândia: 0,68%
  24. Cingapura: 0,33%
  25. Estados Unidos: 0,25%
  26. Austrália: 0,10%
  27. Israel: 0,10%
  28. Alemanha: 0
  29. Áustria: 0
  30. Bélgica: 0
  31. Espanha: 0
  32. França: 0
  33. Grécia: 0
  34. Holanda: 0
  35. Itália: 0
  36. Portugal: 0
  37. Suécia: 0
  38. Japão: -0,10%
  39. Dinamarca: -0,60%
  40. Suíça: -0,75%

Também nesta quarta, o banco central dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) elevou os juros do país de 0,25% para 0,50%, pela primeira vez desde 2018. A previsão é de que a taxa básica termine 2022 entre 1,75% e 2%.

As decisões dos comitês de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos, anunciadas ontem, são uma tentativa de controlar a inflação. Juros mais altos tornam empréstismos e financiamentos mais caros, e isso inibe o consumo, reduzindo os preços.

Leia Também

No nosso país, o IPCA fechou 2021 em 10,06%. Nesta manhã,  o Ministério da Economia revisou a estimativa para este ano para 6,55%, ante os 4,7% previstos anteriormente.

Vale lembrar que a previsão é de que a Selic continue subindo nos próximos meses.

Investimentos

Quando a taxa básica de juros sobe, se torna desvantajoso fazer empréstimos e financiamentos. Mas isso pode ser uma boa notícia para investidores.

"As aplicações de renda fixa em que o rendimento é atrelado a essa taxa, como os CDBs pós-fixados, os fundos DI, as LTFs e títulos negociados via Tesouro Direto ficam mais rentáveis", explica Reinaldo Domingos.

"Até pouco tempo atrás, com a queda da taxa Selic, a recomendação era buscar linhas que não estavam atreladas a ela. Agora, essa orientação muda".

"Mas isso não significa que quem tem dinheiro em mãos para investir, deve colocar integralmente nessas modalidades. Sempre lembro que a aplicação deve ser escolhida de acordo com o prazo que você quer ter o dinheiro: curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo prazo (acima de dez anos)", continua.

Poupança

Sempre que o Copom eleva a Selic, surge a dúvida: ainda vale a pena investir na caderneta de poupança? Para entender melhor isso, é preciso lembrar que, no passado, o governo federal criou uma trava na relação entre a poupança e a taxa básica de juros.

Quando a Selic ultrapassa 8,5% ao ano, a poupança rende um teto de 0,5% ao mês mais a taxa referencial (calculada diariamente, também pelo governo, tendo como base as taxas cobradas pelas 20 maiores instituições financeiras do país). 

"Isso significa que a poupança deixou de ser um investimento interessante? Isso é relativo, temos que lembrar que a parcela da população que investe no Brasil é mínima, e que grande parte dessas pessoas buscam a caderneta de poupança. Assim, por mais que o rendimento não seja tão interessante, falar que as pessoas não devem aplicar o dinheiro nessa linha de investimento pode ser um 'tiro no pé'", finaliza Domingos.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários