Bolsa e dólar têm quedas, com alta de commodities
Felipe Moreno
Bolsa e dólar têm quedas, com alta de commodities

A Bolsa tem leve queda, acompanhando o sentimento de maior aversão ao risco no exterior, e o dólar se desvaloriza ante o real no início desta segunda-feira (7). A possibilidade de sanções ao petróleo e gás russos faz com que o preço da commodity dispare e provoca a queda dos índices acionários na Europa e na Ásia.

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Por volta de 10h55, o Ibovespa cedia 0,06%, aos 114.408 pontos. O principal índice da B3 se equilibra entre as altas da Vale e de empresas do setor de siderurgia e as baixas apresenadas pela Petrobras e pelos bancos.

No mesmo horário, a moeda americana tinha queda de 0,85%, negociada a R$ 5,0347.

Neste fim de semana, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse que o governo americano e seus aliados estão discutindo um embargo ao petróleo russo.

A compra de petróleo e gás da Rússia não foi alvo das sanções iniciais justamente pelas consequências que tal medida teria nos preços internacionais.

Com a possibilidade, aumenta o receio dos investidores de novos gargalos nas cadeias de produção, que ainda se recuperam dos choques causados pela pandemia, além das pressões sobre a, já alta, inflação global.

E diante desse cenário de maior aversão ao risco, os agentes de mercado procuram posições mais defensivas para se proteger, como o dólar, que se valoriza globalmente, apesar de cair ante o real.

"Além do petróleo, a guerra na Ucrânia está elevando os preços das commodities em geral, de agrícolas a metais. O aumento do custo de produção pode levar a economia mundial à "estagflação" – elevando a inflação com a recessão da atividade econômica", destacaram analistas da XP, em relatório matinal.

Ainda no front geopolítico, os mercados aguardam uma terceira rodada de negociações entre russos e ucranianos após os dois primeiros encontros não resultarem em resultados práticos.

Pressão sobre combustíveis

Na cena interna, os investidores ficam atentos ao posicionamento do governo em relação ao aumento dos preços dos combustíveis com a alta do petróleo.

No Congresso, há várias propostas para tentar conter os impactos, como aquela que muda o cálculo na cobrança do ICMS por meio de projeto de lei.

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Nesta segunda, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que a paridade internacional do preço do petróleo  é resultado de uma "legislação errada" e "não pode continuar acontecendo". Ele disse que haverá uma reunião com os ministérios da Economia e da Minas e Energia e a Petrobras para tratar do preços.

Entre as ações, as ordinárias da petroleira (PETR3, com direito a voto) cediam 1,57%, e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 1,67%.

Neste fim de semana,  a estatal anunciou a indicação do presidente do Flamengo e ex-funcionário de carreira da empresa, Rodolfo Landim, ao Conselho de Administração da petroleira. A informação foi divulgada na madrugada do domingo e antecipada pelo colunista do GLOBO, Lauro Jardim.

A mudança na composição do Conselho ocorre em um momento em que a companhia  enfrenta pressões para aplicar um novo reajuste no preço dos combustíveis.

As ordinárias da Vale (VALE3) avançavam 3,04%, e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 3,38%.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) subiam 0,88%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) tinham quedas de 1,09% e 0,05%, respectivamente.

Focus: Mais inflação

Os agentes de mercado também repercutem  as novas estimativas do Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central (BC).

As previsões para a inflação ao término deste ano subiram pela oitava semana consecutiva, passando de 5,60% para 5,65%. O número está acima do teto da meta do BC, que é de 5%.

Para o término de 2023, a taxa foi mantida em 3,51%.

No caso do Produto Interno Bruto (PIB), houve elevação da estimativa para o fim de 2022 de 0,30% para 0,42%. Para o fim de 2023, a previsão continuou em 1,50%.

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