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Segundo o vice-presidente, porém, ação de Bolsonaro foi um "fato isolado" e "interferência pontual" e política da ex-presidente Dilma não será repetida; após recuo nos preços, ações da Petrobras caem mais de 5% na Bolsa. Veja

Vice-presidente, General Hamilton Mourão
Romério Cunha/VPR
Para Mourão, decisão de Bolsonaro de segurar preço do diesel foi tomada para tentar conter possível descontentamento dos caminhoneiros


O vice-presidente, general Hamilton Mourão, confirmou que a determinação de segurar o preço do diesel nesta sexta-feira (12) partiu do presidente Jair Bolsonaro (PSL).  Na quinta-feira (11), a Petrobras  havia anunciado um aumento de 5,74% no combustível, mas recuou da decisão no mesmo dia.

Segundo Mourão, a interferência no valor do diesel foi "pontual".  "Toda decisão tem fatores positivos e negativos. Eu não tenho domínio dos fatos todos que levaram o presidente a tomar essa decisão. Eu não sei quais são as pressões que ele estava sofrendo ou a visão que ele tinha do que poderia acontecer nesse exato momento com esse aumento um pouco maior do diesel e que obviamente o levou a tomar essa decisão", disse em entrevista à rádio CBN .

O vice-presidente acrescentou, ainda, que Bolsonaro não repetirá a política de intervenção nos preços da estatal adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff . "Tenho absoluta certeza de que ele não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia", afirmou. 

Para Mourão, a decisão do presidente foi tomada para evitar um possível problema com os caminhoneiros . "Justamente pelo momento que estamos vivendo. Eu tenho visto alguns dados que tem me chegado da pressão do lado dos caminheiros. Acredito que o presidente está buscando a melhor solução para equacionar o problema", declarou. 

Desde o último mês, integrantes do governo federal tem feito tentativas de agradar os caminhoneiros, na esperança de reduzir as possibilidades de uma nova greve da categoria. Mourão não confirmou. "Já faz algum tempo que esses dados [de possível greve de caminheiros]  vem chegando. Mas são dados, não há uma confirmação. Então temos que tratar com cuidado, e eu acho que foi essa a visão do presidente e de quem o assessorou nessa decisão", explicou.

Em março, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, chegou a dizer que Bolsonaro tem um  " amor muito grande" pelos caminhoneiros . Dias antes, Bolsonaro anunciou  a criação de um cartão caminhoneiro , que vai garantir a compra de diesel e outros combustíveis sem variação contínua de preço, e ainda prometeu outras medidas em breve para a categoria.

Perguntado sobre a possível contradição entre a intervenção na estatal e a autointitulação do governo como liberal, Mourão  respondeu que "em tesé é [uma contradição]. Agora como eu respondi os fatos que chegaram ao conhecimento do presidente não são do meu domínio portanto eu acredito no bom senso dele e que tomou essa decisão buscando o bem maior."

Ações da Petrobras caem mais de5% após recuo no aumento de preço do diesel

Logo da Petrobras ao lado da bandeira do Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil
Ações da Petrobras caem mais de 5% após recuo no aumento de preço do diesel


Após o anúnio de recuo na alta do preço do diesel, as ações da Petrobras abriram o dia em forte queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa). Às 11h40, as ações da estatal caíam 5,05%.

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Com a interferência no preço do diesel , o mercado entende que a petroleira está com a política de reajuste de valores ameaçada.