O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira que fará uma oferta pública para comprar as ações dos acionistas não controladores da Redecard. O objetivo é fechar o capital da empresa de cartões, ou seja, deixar de listá-la na Bovespa. A operação, segundo fato relevante, poderá envolver desembolso de até R$ 11,77 bilhões.
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O objetivo do Itaú com a compra da totalidade das ações da Redecard é obter ganhos em agilidade e melhorar a sua capacidade de ofertar produtos relacionados com cartões, afirmou Roberto Setúbal, presidente do banco, nesta terça-feira. "Esse movimento vai trazer a redução de potenciais conflitos de interesse que poderíamos ter." Segundo ele, a partir da compra da Redecard o Itaú Unibanco poderá oferecer produtos sem comprometer a relação da empresa de cartões com outros bancos que possam deter ações da empresa.
O executivo acresccentou que é possível que o banco tenha ganhos financeiros em decorrência de sinergias com a Redecard, mas que esse resultado não deve ser significativo, principalmente porque diversas operações da empresa de cartões já estão integradas ao banco. "Todo o back office da Redecard, por exemplo, já está no Itau," afirmou Setúbal.
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O maior banco privado do país, que teve lucro líquido de R$ 14,6 bilhões em 2011, vai ofertar preço máximo de R$ 35 por ação, um ágio de 9,2% sobre o valor do papel no fechamento da segunda-feira. Logo após a notícia da oferta, as ações da Redecard já reagiam ao ágio e subiam 8,99%, cotadas em R$ 34,92. No fechamento, subiram 10,17%, cotadas em R$ 35,30. Tiveram ainda o maior volume da Bolsa: R$ 790 milhões, ou 11,4% do total. Os papéis da principal concorrente, a Cielo, acompanhavam os ganhos e subiram 3,85%.
O Itau Unibanco, que já possui 50% do capital da Redecard, de acordo com o site da empresa de meios de pagamentos, informou que a oferta envolverá 336.390.251 ações ordinárias, representativas de 49,9% do capital social da Redecard.
O valor que será proposto aos minoritários foi considerado "justo" por Setúbal. "O preço-alvo médio para 12 meses dos analistas que cobrem a Redecard está abaixo disso," afirmou o presidente do banco. Ele afirmou ainda que os R$ 11,8 bilhões necessários para a compra são um valor "relevante", mas que o Itau Unibanco possui todo o capital em caixa e não terá seu índice de Basileia impactado.
O anúncio ocorre depois que a Redecard encerrou o quarto trimestre de 2011 com lucro líquido acima do esperado, a R$ 457 milhões. Acontece depois também que a gestora de recursos Lazard Asset Management anunciou no início deste mês que passou a deter 9,83% da Redecard.
Segundo Setúbal, a compra das ações da Redecard deve demorar entre 90 e 120 dias para ser totalmente liquidada e a total integração da empresa de cartões ao banco deve acontecer até o final do primeiro semestre deste ano. Segundo ele, não há previsão de planos de demissão em nenhuma das companhias em decorrência da compra.
O executivo disse ainda que pretende "acelerar" os investimentos da Redecard. Segundo ele, a empresa ficou "atrasada", mas "o banco terá capacidade de colocar em prática estes investimentos."
(Colaborou Aline Cury Zampieri)
(com Reuters)