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Economistas alertam para riscos do País se a reforma não for aprovada e indicativo de retração do PIB no 1º trimestre aponta perigo de uma recessão

Equipe de governo defende a reforma da Previdência
Marcos Corrêa/PR
Governo alerta para a necessidade e urgência da reforma da Previdência

A maioria dos brasileiros concorda que é preciso fazer uma reforma da Previdência no País. De acordo com uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada pelo Ibope no dia 8 de março, 59% da população acredita na necessidade de mudanças nas regras de aposentadoria. 

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O governo é resoluto na necessidade de aprovação  da reforma da Previdência . Principal responsável pelo texto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma que o regime atual não se sustenta e que o crescimento só virá com a aprovação . Os números apresentados pelo Planalto dizem que em um prazo de dez anos, a reforma representará uma economia de R$ 1,2 trilhão.

“O sistema atual é uma arma de destruição de empregos. O regime quebrou, está condenado. Com a aprovação da reforma, vamos passar a crescer até 3,5% ao ano”, defende.

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Crescimento é uma palavra ainda não usada nos índices econômicos do Brasil em 2019. No último dia 15, o Banco Central indicou que há uma prévia de que o Produto Interno Bruto (PIB) sofra retração de 0,68%.

“Os indicadores disponíveis sugerem probabilidade relevante de que o PIB tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior”, informa o BC. Para que o País entre em recessão oficial, é preciso passar por três trimestres seguidos de queda.

Economistas compactuam com Paulo Guedes no tocante à reforma. Para a pesquisadora da área de Economia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas, Vilma Pinto, a reforma da Previdência é base para a recuperação financeira dos Estados.

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“A crise fiscal enfrentada pelos estados se caracteriza, primeiramente, como uma crise de fluxo. Atualmente, muitos estados têm enfrentado dificuldades para pagar a folha de salários e fornecedores. Por sua vez, esses estados têm visto a quantidade de servidores inativos e pensionistas aumentar nos últimos anos, pressionando as despesas e agravando ainda mais a crise de fluxo dos entes federativos”, detalhou.

Para a pesquisadora, a reforma pode resolver o problema fiscal a longo prazo, “mas essa relação só se resolve com a reforma da Previdência mesmo”.

Os dados atuais não são animadores. Os números de 2018 fornecidos pelo Tesouro Nacional indicam que o déficit da Previdência foi de R$ 195,2 bilhões. O número atrapalha na geração de empregos e na confiança do mercado em fazer novas contratações e novos investimentos.

“Todo o sistema previdenciário hoje é deficitário, o que faz a reforma mais do que necessária. No atual cenário, o modelo tende a quebrar em dois ou três anos. Em 10 anos, toda a arrecadação federal será destinada apenas para a Previdência”, explica Otto Nogami, professor de economia do Insper.

Segundo os últimos dados demográficos do IBGE, a população em idade de aposentadoria (mais de 60 anos) cresce 3,5% a 4% ao ano. Enquanto a população que trabalha aumenta cerca de 0,8% e a tendência é que esse percentual diminua.

“Hoje, da forma que está estruturada a Previdência e com uma expectativa de vida maior, os beneficiários acabam vivendo mais tempo recebendo o benefício do que contribuindo para ele, e esta é uma das causas do déficit”, afirma o economista Sérgio Fippo.

A demora pela aprovação da nova da Previdência também tem reflexo no mercado financeiro e na taxa cambial. Com os atrasos na Câmara, o dólar chegou a sua maior cotação sobre o real desde a criação da moeda brasileira, atingindo números superiores a R$ 4,20.