Tamanho do texto

Presidente da Câmara dos Deputados teme que tentativa de tratamento diferenciado para PF gere efeito dominó entre categorias do serviço público

Rodrigo Maia
Fernando Frazão/Agência Brasil - 22.5.19
Rodrigo Maia (DEM) defendeu a reforma da Previdência


A tentativa de dar tratamento diferenciado para algumas categorias de servidores públicos na votação da reforma da Previdência pode prejudicar o principal objetivo do governo: reduzir as despesas com aposentadorias. A avalição é do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que participou no início da noite desta sexta-feira (5) de um evento com investidores na capital paulista.

Leia também: Governo vai tentar volta do imposto rural em votação da reforma no plenário

 Segundo Maia , a tentativa de alivar as regras de aposentadoria para policiais federais — medida defendida pelo próprio presidente Jair Bolsonaro — gera uma sinalização ruim e abre espaço para um efeito dominó entre outras categorias de servidores que poderão buscar apoio para receber as mesmas benesses.

"O presidente quer construir uma solução para as polícias. Mas lavar as mãos e tirar as polícias não é uma posição que devemos defender. O sacrifício de todos nós vai garantir o equilíbrio atuarial do sistema", afirmou o deputado, em entrevista coletiva à imprensa.

Leia também: Reforma "ainda não acabou" e equívocos podem ser corrigidos, diz Bolsonaro

Bom senso

Em seguida, ao participar de um debate para uma plateia de investidores, Maia voltou a cobrar maior apoio de Bolsonaro para a aprovação da reforma previdenciária.

"Ele (Bolsonaro) sempre representou os policiais. A gente sabe que o presidente era contra a reforma. Ele já deu o primeiro passo. Agora precisa dar o segundo passo. Ele é presidente de todos os brasileiros e não apenas dos policiais federais. Se os brasileiros mais simples podem contribuir, a PF pode contribuir. Vamos ter bom senso", alfinetou o deputado.

Leia também: Entenda o caminho que o texto da reforma da Previdência deve fazer até virar lei

Maia tambem demonstrou desconfiança na possibilidade de voltar a incluir os estados e municípios dentro da nova sistemática de concessão de aposentadorias durante a discussão da proposta no plenário da Câmara.

Para o deputado, essa tentativa poderia inviabilizar a proposta como um todo e levar a perda de até 60 votos no plenário da Câmara. Maia estima que já existem os 308 votos necessarios, o equivalente a 3/5 da Casa, para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição. Pelas contas do parlamentar, o texto a ser aprovado no plenário deve gerar uma economia de R$ 950 bilhões em dez anos.

"Enquanto todos os governadores não se manifestarem junto com os deputados fica difícil. Hoje o governador de Pernambuco falou que a reforma não é tão importante. Eu tentei (incluir os estados nas novas regras) durante os últimos dias, mas não sou otimista", disse Maia, acrescentando que as assembleias legislativas terão que aprovar reformas em cada estado.

Reforma dos impostos

Maia também defendeu a reforma tributária. O texto deve ser instalado numa comissão especial da Câmara na semana que vem. A proposta até agora é do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), mas caso o governo também envie um texto deve ser juntado para discussão dos parlamentares.

Já a reforma da Previdência para os militares deve ser feita por meio de projeto de lei numa comissão especial criada em agosto, confrome sugeriu Maia .