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Com as mudanças propostas, segundo o ministro, a economia estimada com a adoção de novas regras cai de R$ 1,2 trilhão para R$ 860 bilhões em dez anos

paulo guedes
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
“Houve um recuo [no relatório] que pode abortar a nova Previdência", criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, que o  relatório apresentado pela comissão especial da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados teve um recuo na regra de transição que pode “abortar a nova Previdência”. Segundo Guedes, com as mudanças propostas no documento, a economia esperada com a reforma cai de R$ 1,2 trilhão em dez anos para cerca de R$ 860 bilhões.

“Houve um recuo que pode abortar a nova Previdência . Pressões corporativas forçaram o relator a abrir mão de R$ 30 bilhões para os servidores do Legislativo, que já são favorecidos. Recuaram na regra de transição. Como isso ia ficar feio, estenderam também para o regime geral. Isso custou R$ 100 bilhões”, disse Guedes. A declaração foi feita em entrevista após um evento no Consulado da Itália. 

Segundo o ministro, as mudanças propostas pelo relator Samuel Moreira (PSDB) foram maiores do que o governo esperava. “Entregamos [a reforma] com uma economia prevista de R$ 1,2 trilhão. Eu esperava que cortassem o BPC [Benefício de Prestação Continuada] e a [aposentadoria] rural. Mas, na verdade, cortaram R$ 350 [bilhões, da economia de R$ 1,2 trilhão prevista inicialmente] ”, explicou.

Alterações

Paulo Guedes também disse que ainda não criticaria as mudanças porque está esperando pela tramitação no Congresso Nacional. “Vou respeitar a decisão do Congresso. Agora, se aprovarem a reforma do relator, abortaram a reforma da Previdência . Mostraram que não há compromisso com as futuras gerações”, disse. “Continuam com a velha Previdência”. 

Sobre a retirada da proposta de criação de um regime de capitalização , Guedes disse que, diante da redução da economia esperada, a questão não faz muita diferença. “Achei redundante tirar a emenda de capitalização. Se fizer só R$ 860 bilhões [de economia], já é uma declaração do relator de que as conversas estão indicando que não há desejo pela nova Previdência”, acrescentou. 

Segundo o economista, os R$ 860 bilhões de economia seriam suficientes para evitar problemas na reforma durante o atual governo. Para evitar problemas no futuro, porém, seria necessário fazer uma nova reforma daqui a cinco ou seis anos.

Questionado sobre a greve geral e as manifestações contra a reforma da Previdência desta sexta, o ministro da Economia disse apenas que protestos deveriam ser feitos aos sábados ou domingos para evitar engarrafamentos nas cidades.