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O adiamento da liberação de créditos extras ao governo e a discussão sobre a venda de estatais no STF levaram o Ibovespa a cair 1,42%, a 95.998 pontos

paulo guedes
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O Ibovespa, principal indicador de desempenho da Bolsa de Valores brasileira (B3), fechou o dia em queda de 1,42%

adiamento da liberação de R$ 248 bilhões em créditos extras para o governo, somado às discussões no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a venda de estatais sem o aval do Congresso Nacional, desanimou os investidores. O Ibovespa, principal indicador de desempenho da Bolsa de Valores brasileira (B3), fechou o dia em queda de 1,42%, a 95.998 pontos, o menor nível desde 27 de maio.

Todos os principais papéis que compõem a carteira do Ibovespa se desvalorizaram na sessão desta quarta (5). As ações da Petrobras, da Vale e do Itaú Unibanco, por exemplo, registraram queda de 1,94%, 1,47% e 1,3%, respectivamente. A cotação do dólar, por sua vez, subiu 0,98% e chegou a R$ 3,8960 – a maior alta diária em quase três semanas.

A queda na Bolsa é justificada pelo fato de que, para o mercado, o adiamento da liberação de mais recursos sinaliza que o País pode ter problemas no futuro para pagar suas despesas sem quebrar a chamada "regra de ouro". O governo já adiantou que, a partir de 20 de junho, vai faltar dinheiro para pagar os 2 milhões de idosos assistidos pelo BPC (Benefício de Prestação Continuada)

Além disso, a sessão no STF sobre a venda de estatais representa mais uma preocupação aos investidores. Na semana passada, o ministro Edson Fachin suspendeu a venda da TAG , subsidiária da Petrobras, alegando que o acordo exige autorização prévia do Congresso, como definiu o ministro Ricardo Lewandowski no ano passado. As privatizações são vistas como fundamentais pelo governo para arrecadar mais recursos e tornas essas empresas mais lucrativas.

Teto de gastos em jogo

No fim desta tarde, segundo divulgado pela Bloomberg , o governo de Jair Bolsonaro (PSL) estaria estudando uma flexibilização no teto de gastos públicos para ganhar fôlego fiscal. Pelos investidores, a lei é vista como essencial para o controle da dívida; outros agentes acreditam que a limitação dificulta a expansão de investimentos em educação e saúde, por exemplo.

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O Ministério da Economia, porém, emitiu um comunicado negando que o governo planeja mexer no teto de gastos. "O Ministério da Economia afirma que não encaminhará qualquer mudança na Lei do Teto dos Gastos para excluir investimentos do limite de despesas", afirma. "O Ministério reitera a importância do controle dos gastos públicos para que o País volte a ter equilíbrio nas contas públicas".