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Entre a pequena parcela daqueles que conseguiram economizar dinheiro, valor médio foi de R$ 520 e modalidade preferida ainda é a poupança (64%)

Apenas 18% dos brasileiros conseguiram economizar no mês de junho. Motivos passam pela crise econômica e pelo desemprego, mas também pela falta de educação financeira no País
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Apenas 18% dos brasileiros conseguiram economizar no mês de junho. Motivos passam pela crise econômica e pelo desemprego, mas também pela falta de educação financeira no País

Dados apurados pelo Indicador de Reserva Financeira da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) confirmaram a hipótese que muitos já faziam: o brasileiro está com muitas dificuldade para conseguir economizar dinheiro.

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Mais especificamente, o Indicador revelou que apenas 18% dos brasileiros conseguiram economizar dinheiro no mês de julho. Em média, o valor guardado por essa pequena parcela foi de R$ 520. Já a maioria (73%) terminou o mês sem nenhuma reserva e a principal justificativa é a renda muito baixa, que inviabiliza sobras para guardar dinheiro (44%).

Entre outros motivos apontados, 17% alegam imprevistos, 15% dizem não possuírem renda no momento — provavelmente por estarem desempregados — e 14% reconhecem que há falta de controle ou disciplina sobre os próprios gastos.

De acordo com o levantamento, o número de poupadores é maior nas classes A e B, chegando a 39%. Já nas classes C, D e E, esse percentual cai para 13%. A diferença retrata o cenário de que a renda impacta aqueles que disseram não ter condições de poupar. Mas chama a atenção o fato de que mesmo nos extratos mais elevados de renda o volume de poupadores no mês de junho não alcançou nem a metade.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, os dados mostram que não é só nas classes de menor renda que a cultura de poupar é um problema.

“Quanto menor a renda, maior é a proporção de recursos destinada a gastos básicos, dificultando a formação de reserva. Mas a questão passa por adquirir hábitos de dispor de uma reserva mínima, que possa crescer com o tempo e com o reforço dos juros. Sem reserva financeira, quando os imprevistos acontecem o consumidor acaba sendo empurrado para linhas de crédito que são muito caras, como empréstimos e cheque especial, por exemplo”, analisa, a economista que acredita que parte do  problema é uma questão de educação financeira .

Para quê economizar dinheiro?

Maioria dos brasileiros que tenta economizar dinheiro faz isso para tentar cobrir imprevistos, mas há também quem tenha medo do desemprego e quem tente garantir um futuro melhor para a família
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Maioria dos brasileiros que tenta economizar dinheiro faz isso para tentar cobrir imprevistos, mas há também quem tenha medo do desemprego e quem tente garantir um futuro melhor para a família

Diante desse cenário, a pesquisa também foi investigar mais a fundo os motivos que levam o brasileiro a tentar ou não economizar dinheiro.

A sondagem revelou que 35% dos brasileiros costumam poupar habitualmente, sendo que 28% afirmam guardar o que sobra do orçamento e 7% estipulam um valor a ser poupado. Já 55% dizem não ter o hábito de poupar.

Entre os brasileiros que têm o hábito de poupar, o principal objetivo apontado é cobrir imprevistos que possam surgir (53%). Outro destino para o dinheiro guardado é garantir um futuro melhor à família (37%), enquanto há quem faça uma reserva no caso de desemprego (28%). Além dessas finalidades, 17% disseram juntar para a aposentadoria, 16% para arcar com a educação dos filhos, 15% para viagens e 15% para a reforma da casa.

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Quando perguntados onde guardam o dinheiro economizado, a velha e conhecida Poupança continuou liderando as aplicações, citada por 64% dos que poupam habitualmente. Enquanto guardar dinheiro em casa é a segunda opção, mencionada por 25% dos brasileiros. Em terceiro lugar, aparece a Conta Corrente (15%); em quarto, os Fundos de Investimentos (9%); em quinto, a Previdência Privada (7%); e por último, os CDBs (7%).

A Poupança ainda é a modalidade de investimento mais conhecida pelos brasileiros: 92% já ouviram falar. Em seguida vêm os títulos de capitalização (57%), os planos de previdência privada (53%), as ações em bolsas de valores (42%), os fundos de investimentos (34%), o Tesouro Direto (25%) e os CDBs (25%).

“A poupança acaba sendo um método fácil, de baixo risco e isento de taxas. Por permitir o resgate do dinheiro a qualquer momento, torna-se uma opção atrativa. Além de muitas desconhecem outras alternativas oferecidas pelo mercado”, avalia a economista.

Para os entrevistados que fazem escolhas mais conservadoras de investimento, as principais razões: facilidade para sacar os recursos (34%), além da percepção de que têm pouco dinheiro para investir em outras modalidades (26%), conhecimento insuficiente sobre as alternativas disponíveis (21%), hábito de usar modalidades tradicionais (20%) e medo de perder dinheiro (17%).

Além de não economizar dinheiro, brasileiro precisou usar as reservas

Além de pouca gente ter conseguido economizar dinheiro no mês de julho, muita gente precisou usar as reservas que tinha para
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Além de pouca gente ter conseguido economizar dinheiro no mês de julho, muita gente precisou usar as reservas que tinha para "fechar o mês"

A sondagem ainda mostra que 38% dos poupadores precisaram sacar alguma parte dos seus recursos em julho. Os imprevistos foram a principal razão para o saque, citado por 13%. Outros 8% sacaram porque os ganhos não haviam sido suficientes, 8% para quitar dívidas pendentes e 5% por estarem sem emprego.

A conjuntura econômica, com o alto índice desemprego e a queda do poder de compra, seguem prejudicando o orçamento das famílias. Na contramão da poupança, o que se vê é um grande contingente de consumidores negativados. Tanto que a própria CNDL/SPC divulgou recentemente que o número de  inadimplentes cresceu 4,31% em julho ante o mesmo período do ano passado. Ao todo, o país fechou o mês passado com 63,4 milhões de negativados - marca que representa 41% de toda a população adulta.

Entre os boletos atrasados, o crescimento mais expressivo foi o das contas de serviços básicos, como água e luz, cuja alta registrada em julho é de 7,66% em relação a 2017. As dívidas bancárias dos inadimplentes , que incluem o cartão de crédito, o cheque especial, os empréstimos, os financiamentos e os seguros aparecem logo em seguida, com variação de 6,90% no período.

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“Mas nem tudo se deve à crise. Há um percentual importante de consumidores que não poupam e admitem não fazer por descontrole ou indisciplina. A negligência do controle financeiro também é uma realidade. Mudar essa realidade é um desafio que requer a superação do desemprego e a disseminação da educação financeira, para que consumidor possa não só economizar dinheiro , mas tomar melhores decisões na hora de investir”, orienta o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

*Com informações da CNDL/SPC Brasil