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Em nota, a Igreja diz que acusações são mentirosas e que ações foram movidas "por pessoas cheias de rancor" estimuladas por "gananciosos"

Fachada de unidade da Igreja Universal
Divulgação
Igreja Universal disse que vai recorrer da decisão da Justiça


Depois de ser condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-2) a pagar uma indenização de R$ 115 mil por forçar um pastor a fazer vasectomia, a Igreja Universal, comandada pelo bispo Edir Macedo, rebateu as acusações divulgadas no jornal Folha de S. Paulo .

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De acordo com a reportagem, que expôs o caso do ex-pastor Clarindo de Oliveira, pressionado a fazer vasectomia, esse não é o primeiro caso de esterelização de pastores forçadas à que a Igreja Universal responde.

Segundo o jornal, relatos como p de Oliveira chegaram a pelo menos cinco Tribunais Regionais do Trabalho.  Além do caso mais recente, de 7 de maio, a reportagem cita outras condeçaões fetas pelo Tribunal Regional do Trabalho e Minas Gerais (TRT-3) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST), além de citar uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) com diversos outros relatos.

Em nota publicada em seu site oficial, a Universal ataca o jornal, dizendo que é vítima de "perseguição" e "preconceito religioso" há "pelo menos 30 anos". Além disso, a instituição acrescenta que a Folha fez um "inacreditável estardalhaço" com duas "decisões judicial isoladas — que sequer são definitivas [a Igreja ainda pode reccorer] –, como se toda a Universal tivesse sido condenada por mentiras contadas no Judiciário."

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Segundo a Universal, as ações foram movidas "por duas pessoas cheias de rancor, que, talvez, tenham sido estimuladas por gananciosos, a embarcar em aventuras jurídicas que não terminarão bem para eles."

O caso Oliveira

Oliveira afirma que a imposição ou pressão pela  vasectomia garantia a permanência ou a ascensão dentro dos cargos da Igreja . Se fossem estéreis, ou seja, se não tivessem filhos, era mais fácil que eles pudessem se mudar de cidade à mando da instituição.

A relatora do caso do ex-pastor, desembargadora Silvana Ariano, disse que há a confirmação da “prática de imposição de vasectomia” pela Universal . Segundo ela, a prática “se constitui em grave violação ao direito do trabalhador ao livre controle sobre seu corpo e em indevida intromissão do empregador na vida do trabalhador”.

Em entrevista à Folha , Oliveira contou que virou pastor quando tinha apenas 18 anos. “Antes mesmo de completar os 19, quando tinha acabado de me casar, disseram que eu deveria fazer vasectomia, tinha de renunciar [à possibilidade de ter filhos] para fazer a obra [trabalho na igreja].”

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Depois de fazer a cirurgia, ele foi orientado a não falar sobre o procedimento para a família. "“A intenção [de solicitar a operação], eu percebi depois, era impedir que o pastor fique preso em uma cidade por filhos, além de evitar ter despesas a mais com a família”, disse, acrescentando que a prática é comum na Igreja Universal .