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Acordo teria criado a terceira maior montadora do mundo e maior do Brasil; retirada de oferta de fusão foi motivada por exigências do governo francês

Fusão FCA e Renault
Divulgação
Segundo a Fiat, retirada de oferta de fusão com a Renault foi motivada por exigências em excesso do governo francês


As ações da Renault e daFiat Chrysler (FCA) operam em queda nesta quinta-feira (6), depois do anúncio, na noite de ontem (5), de  que o  plano de fusão global de US$ 35 bilhões entre as montadoras  se desfez apenas 10 dias depois de se tornar público.

Na abertura dos mercados, as ações da Renault recuavam mais de 7% em Paris, na França. Enquanto isso, em Milão, na Itália, os papéis da Fiat Chrysler registravam queda de 1,6%. Já as ações da Peugeot operam em alta, com os analistas analisando a possibilidade de a Fiat se voltar para a empresa com o fim do acordo.

A fusão entre as marcas, que tinha como objetivo alcançar 5 bilhões de euros (US $ 5,6 bilhões) em sinergias anuais, criaria a terceira maior montadora do mundo, atrás da Toyota, no Japão, e da alemã Volkswagen, além de inaugurar a maior montadora do Brasil .

Com o fim do acordo, questões como como a Fiat Chrysler e a Renault enfrentarão os desafios de investimentos caros em carros elétricos e autônomos por conta própria voltam à tona. 

Segundo analistas, a decisão da Fiat de encerrar as conversações também poderia romper a relação entre a Renault e a Nissan, já prejudicada pela prisão e expulsão do presidente da aliança, Carlos Ghosn, que agora enfrenta julgamento no Japão por acusações de má conduta financeira.

Decisão abrupta

Os conselheiros da Renault encerraram um encontro de horas na última quinta-feira (5) sem votar a proposta depois que seu mais importante acionista, o governo francês, exigiu deliberar sobre o tema em data posterior. A Renault, em declaração publicada após a retirada da oferta da Fiat , disse que continua a revisar “com interesse” a proposta.

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A montadora ítalo-americana culpou o governo francês, que tem feito exigências relacionadas sobre manutenção de empregos, governança da companhia resultante e outros itens desde que o negócio foi anunciado. A Fiat Chrysler afirma que permanece convencida da racionalidade da proposta, elaborada de modo a “proporcionar ganhos para todas as partes”, mas avalia que as condições políticas na França não permitem que a combinação entre as empresas seja bem-sucedida.

A retirada da proposta da Fiat é uma derrota significativa para John Elkann, que lidera a companhia fundada pela família Agnelli. Depois de discussões com a  PSA (dona das marcas Peugeot e Citröen), Elkann optou por um passo mais arriscado ao fazer a oferta à Renault, apesar das complicações da companhia com a participação do governo francês e a tensa aliança com a japonesa Nissan, cujo principal executivo, o brasileiro Carlos Ghosn, está preso acusado de fraude financeira. 

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Senard na berlinda

O fim prematuro das conversas quando o negócio parecia próximo de acontecer também deixa em uma situação difícil o presidente do Conselho de Administração da Renault , Jean-Dominique Senard, que falhou na busca de consenso sobre a proposta. Os conselheiros tendiam a aprovar o negócio, com a abstenção dos representantes da Nissan, segundo fontes com conhecimento das conversas, mas representantes do governo francês pediu mais tempo e manifestou interesse de discutir o assunto com os japoneses. Acabaram surpreendidos pela desistência da Fiat Chrysler. Além das demandas do governo francês, sindicatos de trabalhadores também estavam preocupados com a manutenção de empregos nas fábricas.