Tamanho do texto

Segundo especialistas, o nome Boeing Brasil - Commercial atesta que acordo entre aéreas nunca se tratou de uma joint venture, mas sim de uma aquisição

Fachada da Embraer
Divulgação
Após a fusão com a Boeing, nome da Embraer sumiu da nova empresa de aviação comercial, que se tornou Boeing Brasil




O nome da nova empresa de aviação comercial conjunta, criada da parceria firmada entre as aéreas Boeing e Embraer, gerou grandes críticas entre especialistas na área e a população brasileira.

Isso porque a escolha do nome Boeing Brasil – Comercial foi vista por parte da população como a efetivação do 'fim' da  Embraer , algo que já era previsto por alguns desses especialistas .

Ao retirar a marca da Embraer do novo nome, a Boeing oficializa sua soberania no acordo firmado, que permitiu que a americana ficasse com 80% da área de aviação comercial da companhia brasileira, a quem restou apenas 20%.

Joint venture?

O coordenador do Laboratório de Estudos das Indústrias Aeroespaciais e de Defesa da Unicamp, Marcos José Barbieri Ferreira, explica que, dada a divisão de controle, a exclusão da companhia brasileira da nova marca não é uma surpresa. "Eles foram honestos. Para a Boeing, agora, a Embraer é a sua unidade no Brasil. Poderia ser a Boeing Carolina do Norte, Boeing St, Louis... Essa é a Boeing Brasil ", diz.

Ele ressalta que a tendência é que, com a soberania da Boeing dentro da fusão , a unidade brasileira se torne algo complementar, e não mais de desenvolvimento de projetos. "A Embraer deve se tornar muito mais parecida com uma fábrica, uma montadora de automóvel. É só refletir um pouco o que ocorreu com a operação: mostra claramente que isso nunca foi uma joint venture."

Ferreira afirma, ainda, que chamar o acordo de joint venture - que na prática é uma parceria entre duas empresas - era só "um argumento para justificar a venda da principal área da Embraer, um atenuante para cobrir a real operação de aquisição."

Leia também: Latam, Gol e Avianca criticam volta de bagagem gratuita

Para Alan Kuhar, professor de marketing do curso de Administração da ESPM-SP, a discrepância também é simples de entender. "Não é uma joint venture , é uma aquisição. Para se ter uma joint venture , a diferença de percentual de propriedade é muito pequena, normalmente algo entre 51% e 49%", explica.

Assim, segundo ele, a divisão entre 80% e 20% mostra claramente o objetivo da companhia aérea norte-americana: complementar sua linha de aviação com uma maior gama de produtos. "A Boeing quis complementar, incorporar mais produtos em seu portfólio. Não precisa ser um gênio para saber quem vai tomar as decisões da empresa: a quantidade de cadeiras da Boeing é muito superior", afirma.

Escolha do nome


Além da porcetagem de controle muito superior da Embraer, Kuhar lembra que a escolha do nome Boeing Brasil - Commercial também se deve à força da aérea americana no mundo. "A Embraer é um orgulho para os brasileiros, é nossa empresa de referência em tecnologia de ponta, mas o nome Boeing, no mundo, é muito mais forte. Então, para os compradores, é interessante que a nova empresa traga a maior marca, também", diz.

Além disso, outro fator que contribui na escolha do nome é justamente a Boeing querer fazer uma complementação de seus serviços, e não começar algo novo. "Um movimento de compra e incorporação de empresa, de complementação, mesmo, é muito mais simples do que fazer um projeto do zero", lembra.

Leia também: Anac suspende operações da Avianca no Brasil

Apesar da dissociação do nome da Embraer , pelo menos nessa área comercial, o professor ressalta a utilização de Brasil com "s", como na grafia em português, e não com "z". "É uma forma de dizer que cotinua com o pé no Brasil, o jeito sutil de explicar que a empresa mantém a brasilidade, para não parecer uma subsidiária. Mantém a identidade do País", comenta.