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Voltadas principalmente para o pré-sal, as áreas de exploração e produção seguem sendo prioridade e devem receber mais de 80% deste montante

Novo plano de negócios da Petrobras leva em conta que o preço do petróleo deve subir gradualmente daqui para frente, de US$ 66 por barril em 2019 para US$ 75 em 2023; dólar, porém, deve ficar estável
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Novo plano de negócios da Petrobras leva em conta que o preço do petróleo deve subir gradualmente daqui para frente, de US$ 66 por barril em 2019 para US$ 75 em 2023; dólar, porém, deve ficar estável

A Petrobras deverá investir US$ 84,1 bilhões nos próximos cinco anos, de 2019 a 2023. Segundo divulgado pela estatal nesta quarta-feira (5), o novo plano de negócios foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia e encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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O volume de investimentos previstos é superior ao anterior, relativo ao período entre 2018 e 2022, que estimava um montante de US$ 74,4 bilhões. O novo plano de negócios da Petrobras  leva em conta que o preço do petróleo deve subir gradualmente daqui para frente, de US$ 66 por barril em 2019 para US$ 75 em 2023. 

Para o câmbio, porém, a expectativa é de razoável estabilidade, com um aumento progressivo, mas não tão significativo. Segundo projeta a estatal, o dólar deve ficar em R$ 3,30 nos próximos dois anos; em R$ 3,70 em 2021 e 2022; e em R$ 3,80 no ano seguinte, o último contemplado pelo plano de negócios atual.

Simultaneamente, a Petrobras também divulgou seu plano estratégico para 2040, que traz uma "nova visão de empresa integrada de energia". O foco em óleo e gás, por exemplo, presente na visão do plano de negócios anterior e ainda importante para a estatal nos próximos anos, dará mais espaço para outras fontes de energia até 2040.

Divisão dos investimentos

As áreas de exploração e produção continuam sendo as mais importantes para a Petrobras, que deve focar no desenvolvimento de sua atuação em águas profundas, onde estão as áreas do pré-sal
Tânia Rêgo/Agência Brasil
As áreas de exploração e produção continuam sendo as mais importantes para a Petrobras, que deve focar no desenvolvimento de sua atuação em águas profundas, onde estão as áreas do pré-sal

De acordo com a Petrobras, a carteira de investimentos foi construída tendo em vista três motores centrais de geração de valor para a empresa: exploração e produção, refino, transporte e comercialização e o setor de gás e energia. As estratégias também foram ajustadas para buscar uma transição para uma economia de baixo carbono.

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As áreas de exploração e produção continuam sendo as mais importantes para a estatal, que deve focar no desenvolvimento de sua atuação em águas profundas, onde se concentram as áreas do pré-sal. Segundo o novo plano de negócios, a empresa destinará US$ 68 bilhões – mais de 80% do total a ser investido – para esse setor.

Do restante, US$ 8,2 bilhões (9,75%) ficarão com a área de refino, transporte e comercialização, US$ 5 bilhões (5,94%) com o setor de gás e energia e US$ 300 milhões (0,35%) com a área de petroquímica. Outros US$ 400 milhões (0,47%) serão destinados aos investimentos em energia eólica, solar e biocombustíveis .

Perspectivas da Petrobras

Para 2019, segundo as previsões, é esperado um crescimento de 10% na produção de óleo no Brasil e de 7% na produção total. No próximo ano, a Petrobras será presidida por Roberto Castello Branco
José Cruz/Agência Brasil
Para 2019, segundo as previsões, é esperado um crescimento de 10% na produção de óleo no Brasil e de 7% na produção total. No próximo ano, a Petrobras será presidida por Roberto Castello Branco

Para 2019, segundo as previsões da estatal, é esperado um crescimento de 10% na produção de óleo no Brasil e de 7% na produção total, levada principalmente pela entrada em operação de cinco novos sistemas ainda em 2018 e mais três no ano que vem. No total, com os investimentos projetados, a Petrobras estima que 13 novos sistemas entrarão em operação nos próximos cinco anos. 

Para os anos de 2020 a 2023, a expectativa é de um crescimento médio um pouco menor na produção total de óleo e gás, de 5% ao ano.

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Além disso, a empresa prevê que, nos próximos cinco anos, deverá contribuir para o País com cerca de R$ 600 bilhões em impostos e tributos. Outros R$ 13 bilhões serão investidos em pesquisa e desenvolvimento e R$ 6 bilhões em projetos sociais e ambientais em todo o Brasil. No total, a estatal deve geral cerca de 450 mil postos de trabalho nesse período.

Desinvestimentos

A Petrobras também informou que dará continuidade ao plano de desinvestimentos em curso. A empresa continuará com parcerias, que têm potencial para atrair US$ 26,9 bilhões ao seu caixa
Shutterstock
A Petrobras também informou que dará continuidade ao plano de desinvestimentos em curso. A empresa continuará com parcerias, que têm potencial para atrair US$ 26,9 bilhões ao seu caixa

A Petrobras também informou que dará continuidade ao plano de desinvestimentos (venda de ativos) em curso. Os projetos já anunciados seguirão, e a empresa continuará com parcerias, que têm potencial para atrair US$ 26,9 bilhões ao seu caixa.

As iniciativas, associadas a uma geração operacional de caixa estimada em US$ 114,2 bilhões, após dividendos, impostos e contingências, permitirão à Petrobras realizar seus investimentos e reduzir seu endividamento, sem necessidade de novas captações líquidas até 2023, onde o novo plano de negócios alcança.

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As áreas de refino, transporte e comercialização continuarão atuando de forma integrada à exploração e à produção, “mas com um novo modelo de participação da Petrobras , considerando parceria com outras empresas, e no caso da petroquímica, uma melhor exploração do seu potencial de integração com o refino”.


*Com informações da Agência Brasil

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