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Em comunicado, rede de livrarias afirmou que busca readequar seu negócio a uma "nova realidade" e que a decisão não altera o funcionamento do varejo

Fundada há 104 anos e com um comércio eletrônico relevante, a Saraiva ainda mantém 85 lojas em 17 estados do País
Divulgação
Fundada há 104 anos e com um comércio eletrônico relevante, a Saraiva ainda mantém 85 lojas em 17 estados do País

Depois da Livraria Cultura, foi a vez da Saraiva, a maior rede de livrarias do País, entrar com um pedido de recuperação judicial. Por não conseguir renegociar suas dívidas com fornecedores, os débitos da empresa, segundo informações da Agência Reuters , somam R$ 675 milhões. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23). 

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Fundada há 104 anos e com um comércio eletrônico relevante, a Saraiva  ainda mantém 85 lojas em 17 estados do País. Em comunicado enviado ao mercado, a rede de livrarias afirmou que o pedido de recuperação judicial "não altera, de forma alguma, o funcionamento do varejo", e que tem tomado diversas medidas para readequar seu negócio ao que chamou de "uma nova realidade".

"Desde o início deste ano, a companhia vem propondo, sem sucesso, a renegociação de seu passivo com os fornecedores", escreveu a Saraiva. "Em decorrência do agravamento de sua situação, a companhia julga que a apresentação do pedido de recuperação judicial é a medida mais adequada nesse momento, no contexto da crise no mercado editorial, reflexo do atual cenário econômico do País".

No final de outubro, a empresa já havia decidido fechar 20 lojas espalhadas pelo Brasil. Na época, a Saraiva afirmou que a decisão foi motivada pelos "desafios econômicos e operacionais do mercado", além dos indicadores "que retratam uma mudança na dinâmica do varejo ". Cerca de 700 funcionários foram demitidos no episódio.

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No segundo trimestre desse ano, a Saraiva teve prejuízo de R$ 37,6 milhões – 126,5% a mais do que o resultado negativo registrado no mesmo período de 2017 (R$ 16,6 milhões). Entre abril e junho, a receita líquida da empresa somou R$ 364,5 milhões, sendo R$ 227,9 milhões (-4,1% em relação a 2017) com as vendas em lojas e R$ 136,5 milhões (+2,9%) com o e-commerce.

Livros em crise

A situação da Cultura é um pouco melhor do que a da Saraiva: hoje, a empresa acumula dívidas de R$ 285,4 milhões
Reprodução/Facebook
A situação da Cultura é um pouco melhor do que a da Saraiva: hoje, a empresa acumula dívidas de R$ 285,4 milhões

O mercado editorial brasileiro vive umas das piores crises de sua história. Em 24 de outubro, a Livraria Cultura, uma das mais tradicionais do setor, também entrou com um pedido de recuperação judicial . Em nota, a empresa justificou a decisão pelo cenário econômico nacional adverso e pela crise no setor, que, segundo a companhia, encolheu 40% desde 2014.

"Infelizmente, após quatro anos de recessão, o cenário geral no país não apresenta sinais claros de melhoria", escreveu a empresa. "Com essa medida, visamos normalizar compromissos firmados com nossos fornecedores, preservando a saúde da empresa, a manutenção de empregos e gerando mais estímulo para crescer".

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A situação da Livraria Cultura, porém, é um pouco melhor do que a da  Saraiva . Hoje, a empresa criada por Eva Herz em 1947 já acumula dívidas de R$ 285,4 milhões, a maior parte com fornecedores e bancos.

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