Altus Liv e Ícone foram lançados há menos de seis meses
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Altus Liv e Ícone foram lançados há menos de seis meses

Enquanto o Pix  domina os meios de pagamento digitais no Brasil, bancos públicos estão tentando fisgar um público que não abre mão do cartão de crédito: as classes altas; justamente em um momento em que cartões premium de bancos privados começam a perder parte do brilho, com cortes e restrições em benefícios.

No fim do ano passado, o Banco do Brasil lançou o BB Altus Liv, um segmento abaixo do Altus, mas com vantagens para clientes de alta renda que buscam um cartão com boa pontuação, acesso amplo a salas VIP e possibilidade de isenção de anuidade conforme o nível de gastos ou investimentos no banco.

A Caixa Econômica Federal também apresentou, em dezembro, o Caixa Ícone, sua aposta no segmento de alta renda, com foco em pontuação agressiva, benefícios de viagem e integração ao novo programa de recompensas do banco.

Os movimentos marcam uma mudança recente de posicionamento. Tradicionalmente mais associados a crédito imobiliário, benefícios sociais ou relacionamento institucional, os bancos públicos passaram a tratar o cartão como peça central na disputa pelo cliente de maior renda — especialmente aquele que já está na base, mas concentra gastos em outras instituições.

Passados menos de seis meses desde os lançamentos, as duas instituições já comemoram os primeiros resultados.

À coluna Pé de Milha, o diretor-presidente da Caixa Cartões, Márcio Vieira Recalde, fala em “resultados acima das expectativas”. Segundo o executivo, o Ícone foi pensado como uma resposta ao mercado com duas estratégias.

“O Cartão Caixa Ícone Visa […] além de reter clientes premium da nossa base consolidada, atrai novos clientes de alta renda, que buscam exclusividade, autenticidade e experiências sob medida. Esse cartão chegou não como uma ação pontual, mas como uma decisão estratégica e definitiva de ocupar esse espaço com um produto à altura das melhores referências do mercado, reforçando que a Caixa tem capacidade de inovar em todos os segmentos atendendo às necessidades de todos os seus clientes”, diz.

No Banco do Brasil, o cartão de crédito também ganhou protagonismo na estratégia para alta renda. À coluna, o banco afirma que o produto passou a ser tratado como parte integrante do relacionamento com o cliente, “indo além da função de meio de pagamento” e ajudando a ampliar o engajamento e a concentração de gastos ao longo do tempo.

A Visa, bandeira dos cartões do BB e da Caixa, afirma que identificou, por meio da consultoria Visa Consulting & Analytics, um padrão comum: bancos com perfis distintos já concentravam clientes de alta renda, mas nem sempre conseguiam reter seus gastos no dia a dia.

"A gente demonstrou duas coisas para eles: primeiro, que existe um público de alta renda dentro desses bancos, independentemente da vocação original da instituição. Sempre há um segmento de alta renda. Segundo: que o mercado inteiro caminhou para um modelo de segmentação, com produtos específicos para esse público”, lembra o vice-presidente de Produtos e Inovação da Visa, Frederico Succi.

Segundo o executivo, BB e Caixa entenderam que se não oferecessem seus próprios produtos para esses clientes, eles iriam cada vez mais transacionar com outros bancos.

"Então houve um processo de quebra de paradigma, especialmente em bancos com vocações diferentes. Mas, contra dados, não há argumentos”, ressalta.

No caso da Caixa, a aposta conversa com uma base relevante de clientes de alta renda construída a partir do crédito imobiliário — um público que já tem relacionamento com o banco, mas nem sempre concentra ali os gastos do dia a dia.

"O cliente de altíssima renda que já tem relacionamento com o banco por meio de outros produtos, agora tem um cartão que corresponde às suas expectativas de exclusividade e status. E para os clientes que não tinham a Caixa como banco principal, apresentamos um produto altamente competitivo. Nos primeiros meses, percebemos interesse dos dois perfis, com resultados acima das expectativas, o que confirma que o Ícone veio para ocupar e disputar espaço de verdade nesse segmento”, conta Recalde.

No Banco do Brasil, a estratégia segue a mesma direção. O banco afirma que o Altus Liv foi lançado para “ampliar a relevância do BB junto a clientes que já mantêm relacionamento com o banco e, ao mesmo tempo, apoiar a atração de novos clientes, a partir de uma proposta atualizada de benefícios, conveniência e experiência, integrada ao relacionamento financeiro como um todo”.

Ao reforçar a oferta de cartões mais competitivos, os dois bancos tentam ocupar esse espaço: aumentar a participação nos gastos de quem já está na base e, ao mesmo tempo, disputar novos clientes em um segmento dominado por bancos privados.

BB terá salas VIP próprias

BB ainda não divulgou detalhes sobre salas VIP próprias
Divulgação/Inframerica
BB ainda não divulgou detalhes sobre salas VIP próprias


Nos últimos anos, as salas VIP em aeroportos deixaram de ser um benefício restrito a poucos cartões e viraram um dos ativos mais cobiçados na disputa por clientes de média e alta rendas.

Com filas maiores, acessos mais disputados e bancos revisando regras, o acesso a esses espaços passou a funcionar como símbolo de status e também como diferencial competitivo.

Nesse cenário, o Banco do Brasil afirma que trabalha na criação de salas VIP próprias, ainda sem detalhes sobre localização e regras de acesso.

Como são os cartões que BB e Caixa colocaram na disputa

BB Altus Liv e Caixa Ícone seguem a mesma cartilha dos cartões topo de linha de bancos como Itaú, Bradesco e Santander. Ambos apostam em estrutura Visa Infinite, acesso ilimitado a salas VIP, cartões metálicos, múltiplos adicionais sem custo e acúmulo acelerado de pontos atrelado a programas próprios

CritérioBB Altus LivCaixa Ícone
Público / elegibilidadeInvestimentos ≥ R$ 1 mi ou gasto médio ≥ R$ 20 mil ou renda ≥ R$ 30 milLimite mínimo de crédito de R$ 100 mil
MaterialCartão metálicoCartão metálico
AdicionaisAté 7 gratuitos
Até 5 gratuitos
Pontuação (Brasil)3 a 4 pontos por dólar ( com progressão por faixa de gasto mensal)5 pontos por dólar (promo até 20/10/2026)
Pontuação (exterior)Até 4 pontos por dólar6 pontos por dólar
Programa de pontosLiveloUau Caixa
IOF internacionalZerado (promo sem prazo definido)Zerado até jan/2027
Anuidade cheiaR$ 3.600 (12x R$ 300)R$ 1.650 (12x)
Política de isenção100%: gastos ≥ R$ 25 mil ou investimentos ≥ R$ 2 mi1º ano grátis para clientes Private
Salas VIPIlimitado + 12 convidados/ano (LoungeKey/Visa Airport Companion)Ilimitado + 20 convidados/ano (LoungeKey/Visa Airport Companion)
Bandeira/benefíciosVisa InfiniteVisa Infinite


Eles reproduzem um modelo já consolidado no mercado, no qual o cartão deixa de ser apenas meio de pagamento e passa a funcionar como ferramenta de fidelização para clientes de alta renda, combinando benefícios de viagem com estímulos à concentração de gastos e relacionamento financeiro.

“A proposta é oferecer uma combinação de alta pontuação, benefícios em viagens e integração com o novo programa de recompensas do banco”, diz o diretor-presidente da Caixa Cartões.

No caso do Altus Liv, o BB sustenta que “a proposta é combinar acúmulo de pontos competitivo com um pacote robusto de benefícios”.

Análise

Para o consumidor, o Caixa Ícone ganha força quando se considera a recorrência de campanhas agressivas, como bônus de transferência que passam de 160% (aniversário da Caixa).

Nesses momentos, a pontuação mais alta do cartão deixa de ser apenas um número no papel e pode se traduzir em um acúmulo muito relevante em programas parceiros, especialmente para quem sabe esperar a janela certa para transferir.

O risco é que esse ganho depende de timing e da manutenção dessas campanhas; ou seja, exige mais acompanhamento e não é totalmente previsível.

O BB Altus Liv segue uma lógica mais estável. Mesmo com pontuação menor, a integração com a Livelo  e a variedade de parceiros ampliam as opções de uso e permitem buscar valor de forma mais consistente, sem depender tanto de ações específicas ao longo do ano.

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