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O colunista Luís Artur Nogueira explica por que o Banco Central deveria reduzir a taxa básica de juros para estimular a economia

Olá, gravateiros e gravateiras. É estarrecedora a notícia de que o desemprego subiu para 12%, em média, no trimestre encerrado em janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 12,7 milhões de desempregados, sem contar aqueles que desistiram de buscar uma vaga (4,7 milhões de pessoas desalentadas) e aqueles subutilizados (27,5 milhões de pessoas). Enquanto isso, o Banco Central (BC) congelou a taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano. Está errado!

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Em primeiro lugar, quero enfatizar que o presidente do BC, Ilan Goldfajn, que está deixando o cargo, e sua equipe fizeram um excelente trabalho. Lutaram contra uma inflação acima de 10%, entregando-a em 4%. Pegaram uma Selic em 14,25%, derrubando-a para 6,5%. O justo elogio, no entanto, não me impede de criticar as últimas decisões dos diretores do Comitê de Política Monetária (Copom), que mantiveram a Selic em 6,5% apesar do claro cenário de estagnação econômica. Ignoraram a existência de milhões de desempregados no Brasil.

Quando criticado, o BC sempre se defende com o argumento de que a sua missão é buscar o centro da meta de inflação. Verdade. Aqui, no Brasil, a autoridade monetária não tem o chamado duplo mandato (inflação/emprego), como nos Estados Unidos. Ainda assim, o BC vem sendo muito conservador, pois entregou uma inflação abaixo do piso da meta em 2017 (IPCA em 2,9% ante piso da meta de 3,0%) e abaixo do centro da meta em 2018 (IPCA em 3,7% ante um centro da meta de 4,5%). E, se os analistas estiverem certos, o IPCA será de 3,85% em 2019, novamente abaixo do centro da meta de 4,25%. Esses números, por si sós, já mostram que o BC errou ao congelar a Selic em 6,5% desde março de 2018.

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Além disso, o Brasil vem apresentando “pibinhos” (crescimento em torno de 1%) nos últimos dois anos, após a maior recessão de sua história. A consequência óbvia é o nível de desemprego absurdo, o que ajuda a explicar por que a inflação permanece sob controle, inclusive no setor de serviços.

Entendo perfeitamente que o BC, conforme enfatiza em seus comunicados, esteja preocupado com a situação fiscal do País. Todos nós, brasileiros, estamos preocupados. Sabemos que um eventual fracasso na votação da Reforma da Previdência Social será terrível para o Brasil. Um dos impactos negativos será no câmbio, com potencial contaminação inflacionária. Porém, dado que o tempo do Congresso Nacional nunca é o mesmo da sociedade, não é admissível que o BC fique de braços cruzados esperando o ajuste fiscal para, enfim, reduzir os juros. Afinal de contas, a missão do BC não é a meta de inflação?

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Espero que a nova gestão do BC, sob o comando do economista Roberto Campos Neto, tenha o mínimo de sensibilidade para testar níveis menores de juros. Não estou pregando nenhuma irresponsabilidade monetária. Apenas um olhar mais atento aos 12,7 milhões de desempregados . Cortar gradativamente a Selic não vai gerar empregos de forma milagrosa, mas sinalizará ao mercado que o foco é o crescimento econômico com inflação sob controle. Outra missão é criar as condições para que os juros caiam na ponta final, beneficiando consumidores, empresários e empreendedores. Sugiro, a seguir, um vídeo que trata justamente da caixa preta dos juros.


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