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O colunista Luís Artur Nogueira mostra que o primeiro passo é montar a boa e velha planilha financeira, anotando gastos e receitas

Olá, gravateiros e gravateiras. Quero tratar hoje de um assunto chato e delicado. Milhões de famílias brasileiras estão no vermelho e com dívidas impagáveis. São inadimplentes, que têm o nome sujo na praça. Sair desta situação requer disciplina e muito esforço. Meu objetivo aqui não é ficar simplesmente apontando erros financeiros. Quero mostrar saídas e, no final, colocar o dedo numa ferida. Já aviso que vai doer.

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Muitas pessoas entram no cheque especial por pura desatenção. Esse é o caso mais “tranquilo”, pois basta um pouco de disciplina para esses correntistas voltarem ao azul. Há quem esteja com a corda no pescoço por conta de um acontecimento totalmente imprevisto. Imagine algum procedimento cirúrgico que não seja coberto pelo plano de saúde nem fornecido pelo SUS num prazo razoável. No desespero, a pessoa contrai empréstimos caros (com juros muito elevados) para salvar a vida. É totalmente compreensível e, mais cedo ou mais tarde, ela conseguirá dar a volta por cima em suas finanças pessoais e sair do vermelho .    

O problema maior ronda aquelas pessoas que sempre estão no vermelho. São devedores contumazes. Em todos os meses, a renda termina antes do último dia. O salário nunca é suficiente para pagar as despesas mensais. E pior: o limite do cheque especial já foi incorporado como se fosse um bônus permanente. Temos, assim, um caso clássico de descontrole financeiro. Acreditem: muitas famílias e muitos casamentos acabam sendo destruídos neste cenário.

O primeiro passo é montar a boa e velha planilha financeira. Anotam-se todos os gastos durante, no mínimo, três meses e replica-se a média deles para os meses seguintes. Eu, particularmente, prefiro o modelo americano em que os números são analisados sempre anualmente, eliminando eventuais sazonalidades em meses atípicos. Gosto de visualizar o quanto eu pretendo gastar ao longo do ano, sem me desesperar caso algo saia dos trilhos em um mês específico.

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Do lado das receitas, é o mesmo raciocínio. Se for um salário fixo, fica fácil prever o ganho anual. Se a renda vier de um empreendimento, será preciso calcular a média dos lucros em alguns meses para que a projeção anual fique mais próxima da realidade.

O resultado óbvio da planilha será negativo (despesas maiores que as receitas), pois estamos tratando de uma pessoa que sempre recorre ao cheque especial. A maior utilidade da planilha, neste caso, é mostrar o tamanho do rombo e permitir que cada item de despesas possa ser avaliado. Cortá-las é o caminho mais natural, mas também há oportunidades do lado das receitas. Pedir um aumento de salário e fazer hora extra ou bicos nas horas vagas podem ajudar nas finanças. Para os empreendedores, só resta perseguir lucros maiores, cortando custos e/ou aumentando os preços dos produtos e serviços.

Quem já viveu a experiência de cortar gastos domésticos sabe o quão dolorosa ela pode ser. Ninguém na família fica feliz com a “perda de regalias” nem satisfeito com a vida mais espartana. É nesse ponto que eu quero colocar o dedo na ferida. Há momentos que a família precisa ser reunida para um papo franco e duro. Se o resultado das despesas sempre supera o das receitas, a conclusão óbvia é que tem muita coisa errada.

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Nenhum educador financeiro sente prazer em dizer isso. Poucos, na verdade, têm a coragem de fazê-lo. Vou me arriscar a diminuir ainda mais o meu índice de popularidade. Meu caro gravateiro ou minha cara gravateira, se você sempre está no vermelho é porque o seu padrão de vida é incompatível com a sua renda. Ou você dá um jeito de ganhar mais dinheiro, ou é melhor cair na real. Você é menos rico (a) do que gostaria, ou é mais pobre do que imagina. Simples assim. Reduza o seu padrão de vida, sofra menos com as finanças pessoais e seja mais feliz em 2019! A seguir, indico um vídeo para você se inspirar nesse clima de Natal e Ano Novo, e se preparar financeiramente para um excelente 2019.


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