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O colunista Luís Artur Nogueira explica que, apesar do bom resultado de 2018, eram vendidos muito mais veículos em 2012

Olá, gravateiros e gravateiras. Estaria ocorrendo um milagre no setor automotivo? Vejam só. Os analistas do mercado financeiro projetam expansão de 1,3% a 1,5% para a economia brasileira em 2018. Os executivos das montadoras estimam que as vendas de veículos leves (carros e comerciais leves) encerrarão o ano com alta acumulada entre 13% e 15%. Como já estamos em dezembro, as duas previsões estão próximas da realidade. Daí surge a pergunta inicial: como a indústria automotiva está conseguindo atingir um ritmo 10 vezes maior que o do Produto Interno Bruto (PIB)?  

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Há vários fatores que explicam o bom desempenho das vendas de carros novos. O primeiro deles é a base de comparação. Embora esse crescimento de dois dígitos (entre 13% e 15%) chame a atenção de todos, se trata de uma expansão sobre um volume de  carros relativamente baixo. No ano passado, foram licenciados 2,2 milhões de veículos leves. Em 2018, o volume deve ficar um pouco acima dos 2,5 milhões, patamar ainda distante dos anos dourados do setor, no início desta década.

Vale lembrar que a indústria automotiva apanhou muito durante a crise econômica desencadeada pelo governo Dilma, registrando retrações bem superiores às do próprio PIB. Apenas para citar um número: em 2012, foram vendidas 3,6 milhões de unidades, o que representa um volume 44% maior do que esse previsto para 2018.

Porém, não seria correto limitar a análise sobre o bom ano do setor automotivo aos números passados. Há outros componentes que vêm ajudando a convencer consumidores e empresas a trocarem de carro. O crédito é um deles. Com a melhora gradual da economia, os bancos passaram a ser menos restritivos na hora de aprovar os financiamentos. “A inadimplência caiu bastante e está em apenas 3,4%”, afirma Antonio Megale, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “Isso diminui o risco da operação.”

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No ano passado, a maioria das vendas de automóveis (52%) foi feita à vista. Em 2018, o quadro mudou (49,2% à vista), ou seja, as vendas financiadas estão liderando (50,8%). Parece uma diferença pequena, mas são bilhões de reais a mais despejados em crédito todos os meses (em novembro, por exemplo, foram R$ 11,2 bilhões em crédito ante R$ 9,2 bilhões no mesmo mês do ano passado). Nos anos dourados, os financiamentos representavam 60% das vendas.  

Outro efeito da melhora gradual da economia pode ser verificado no aumento da confiança dos consumidores. Esse item é fundamental, pois, durante a crise, muitos trabalhadores que estavam empregados tiveram comportamento defensivo. Na prática, eles agiam como se estivessem desempregados, adiando consumo de itens mais caros, como os carros. Isso gerou uma demanda reprimida. Afinal de contas, quem se arriscaria a contrair um financiamento se o risco de perder o emprego era elevado? Agora, mais confiantes, eles voltaram às compras.

Conclui-se, portanto que, após adiarem a troca do carro durante alguns anos, os brasileiros estão aproveitando a melhora do ambiente econômico para visitar as concessionárias. No caso das empresas, as frotas foram envelhecendo, o que aumenta o seu custo de manutenção. Passada a crise, renová-las passou a ser prioridade.

Para o ano que vem, a Anfavea acredita em mais um crescimento de dois dígitos (acima de 10%) nos licenciamentos de veículos leves novos. As premissas são as mesmas deste ano, com a vantagem de que o PIB deve avançar num ritmo maior. Há ainda um detalhe que não deve ser menosprezado. O índice de habitantes por carro no Brasil (4,5 habitantes para cada carro) está longe do padrão europeu (2 habitantes para cada carro) e do padrão americano (1,5 habitante para cada carro).

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Significa, portanto, que há muito espaço para a frota crescer no País. É isso que explica por que as montadoras não param de anunciar investimentos no Brasil, apesar de todos os entraves logísticos e burocráticos. Antes que alguém diga que não cabem mais carros em São Paulo, não estamos aqui falando da capital paulista, que já possui um padrão quase europeu (2,5 habitantes para cada carro). Estamos falando de um enorme mercado pouco explorado no interior do País. É para lá que as montadoras estão de olhos bem abertos. A seguir, apresento um vídeo sobre como consumir e poupar neste Natal.