Olá, gravateiros e gravateiras. O assunto de hoje é a economia do Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (31) que o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresceu 0,2% no 2º trimestre (de abril a junho) em relação ao 1º trimestre, e avançou 1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Lembrando que o PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos num determinado período. Mas, afinal de contas, esse resultado foi bom ou ruim?

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Mercado financeiro avalia que o PIB do Brasil de 2018 será de 1,47%

De positivo, o indicador do IBGE nos mostra que o PIB vem crescendo há seis trimestres consecutivos. É uma recuperação lenta e gradual, mas definitivamente deixamos para trás a maior crise econômica da nossa história (queda de 7% no biênio 2015-2016). Além disso, a greve dos caminhoneiros, que paralisou o País em maio, não teve um impacto tão forte. A recuperação, em junho, conseguiu minimizar os efeitos negativos.

Quando olhamos o PIB acumulado em quatro trimestres, o dado também é positivo, com um alta de 1,4%. De novo: nada de “Pibão”, mas paramos de encolher. Todos os setores – indústria, serviços e agronegócio – vêm crescendo nos últimos 12 meses, embora esperava-se um pouco mais da indústria, que está longe de recuperar as perdas registradas na crise.

De negativo, há muitos fatores. Os investimentos encolheram 1,8% no 2º trimestre em relação ao trimestre anterior. O investimento depende de confiança no futuro econômico. Nesse contexto, a greve dos caminhoneiros escancarou o fim antecipado do governo Michel Temer. Além disso, a incerteza eleitoral leva os empresários a adiar projetos para 2019. Na prática, estamos desperdiçando crescimento econômico – em vez de o PIB avançar 3% neste ano, teremos uma alta modesta de 1,5%.

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Outro dado preocupante do 2º trimestre foi a estagnação do consumo das famílias (alta de apenas 0,1%). Sem investimentos, o motor da economia precisa ser, num primeiro momento, o consumo. Esse quadro deve melhorar no segundo semestre com a liberação de recursos do PIS/Pasep e com o pagamento de pendências de planos econômicos do passado. É muito dinheiro que vai entrar na economia, seja através de mais consumo ou da quitação de dívidas, o que acaba permitindo que as famílias voltem a buscar crédito.

Conclusões

O Brasil está crescendo menos do que poderia – e deveria. Nesse ritmo de alta do PIB, entre 1% e 1,5%, o mercado de trabalho não vai melhorar rapidamente. São 13 milhões de brasileiros à procura de emprego e outros milhões subocupados ou na informalidade (em meu canal no YouTube, eu explico por que não é possível criar emprego com propostas populistas – assista ao vídeo abaixo). A ociosidade nas indústrias ainda está grande, o que justifica o adiamento dos investimentos, assim como a incerteza eleitoral gera um engavetamento de projetos.

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Não há milagre para resolver o problema. O crescimento econômico só virá através do resgate da confiança de empresários e consumidores. Esse resgate, por sua vez, só ocorrerá com um amplo ajuste das contas do governo e da máquina pública, além das reformas estruturais – política, tributária e da Previdência Social. A agenda econômica que sair vencedora das eleições vai determinar se o Brasil crescerá de 1% a 2% ao ano (Pibinho), de 3% a 4% (bom patamar de PIB ) ou se voltará à recessão (encolhimento de PIB). Com a palavra, as urnas.


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