
Clientes do Ueno Bank, banco digital paraguaio que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP), começaram a receber nesta sexta-feira (06) e-mails com informações sobre a devolução do dinheiro que estava bloqueado na instituição.
As mensagens indicam quanto cada usuário poderá receber, além da conta bancária em que o valor será depositado, de acordo com o jornal paraguaio Hoy.
Para facilitar o acesso das informações, o Banco Central também lançou uma plataforma online em seu site oficial. Com ela, os clientes podem consultar os dados sobre os pagamentos realizados pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). Apesar dessa iniciativa, o sistema tem filas de espera que podem chegar a quatro horas.
A medida tenta atender os milhares de correntistas afetados pela crise do banco, que teve suas atividades interrompidas após uma intervenção do órgão regulador.
Leia também: Ueno Bank e Banco Master: entenda semelhanças entre as crise
Como será feita a devolução do dinheiro?
O processo de pagamento será diferente para quem já possui conta em outro banco e para quem utilizava apenas os serviços do Ueno Bank.
Os clientes que tem conta em outras instituições financeiras receberão os valores direto nessas contas. Já aqueles que não possuem outro vínculo bancário terão uma conta provisória aberta em uma instituição que se disponibilizou a receber os que foram afetados.
Conforme o Hoy, cerca de 280 mil clientes estão nessa situação. As novas contas terão validade inicial de 90 dias e serão abertas sem a necessidade de cumprir todas as exigências normalmente solicitadas pelos bancos.
Depois desse período, as instituições poderão pedir os documentos necessários para a manutenção da conta. O cliente também poderá escolher por sacar todo o dinheiro e encerrar o vínculo ou continuar utilizando a conta, caso haja interesse.
Quando o dinheiro estará disponível?
Os primeiros avisos começaram a ser enviados nesta sexta-feira pelo e-mail [email protected].
Com a notificação, os clientes receberão informações sobre o valor a que têm direito, possíveis dívidas vencidas que serão descontadas e o montante final que será depositado. Quem não possui outra conta bancária também será informado sobre a instituição responsável pela abertura da conta provisória.
Segundo Banco Central, as transferências serão feitas em lotes para as instituições financeiras. A partir de hoje (09), os bancos terão até cinco dias úteis para disponibilizar os recursos nas contas dos clientes.
Ao todo, cerca de 1,9 milhão de correntistas já possuem contas em outras instituições financeiras, conforme informações do jornal paraguaio.
Quanto cada cliente poderá receber?
A devolução dos valores será feita com base nas regras do Fundo de Garantia de Depósitos. A cobertura total prevista é de até 228,3 milhões de guaranis, equivalente a US$ 37 mil (R$ 203 mil).
Porém, uma nova lei aprovada às pressas nesta semana autorizou a antecipação de parte desses recursos. Com isso, os clientes poderão receber inicialmente até 121 milhões de guaranis, o equivalente a US$ 20 mil (R$ 110 mil).
Quem tem valores acima desse limite pode solicitar o restante depois, conforme as regras do processo de liquidação.
Entenda o que provocou a crise no banco
O dinheiro dos clientes estava bloqueado desde terça-feira (03), quando o Banco Central do Paraguai decidiu intervir no Ueno Bank diante de problemas de capitalização da instituição.
A crise teve consequências que ultrapassaram o setor financeiro. O episódio também levou para prisão preventiva de oito executivos e ex-executivos do banco, além da renúncia do presidente e de outros dois diretores da autoridade monetária.
Em meio da repercussão envolvendo o caso, o então presidente do Paraguai, Santiago Peña, também anunciou sua renúncia em um pronunciamento em vídeo publicado nas redes sociais.
Ex-funcionários protestam e cobram pagamento de indenizações
Os impactos da crise também atingiram os trabalhadores do banco. Ex-funcionários do Ueno realizaram um protesto na frente da sede do Banco Central do Paraguai para cobrar garantias sobre o pagamento das indenizações trabalhistas e a liberação das economias que mantinham na instituição, segundo o jornal Hoy.
Os manifestantes afirmam que foram prejudicados de duas formas:
- perderam seus empregos;
- ficaram sem acesso ao dinheiro que tinham guardado no próprio banco.
A situação também preocupa outras instituições que mantinham recursos no Ueno. É o caso do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai (CBVP), que enfrenta dificuldades financeiras após ter seus fundos bloqueados.
Mais de 2 bilhões de guaranis em recursos, arrecadados principalmente durante a campanha nacional deste ano, continuam retidos na instituição financeira, que passa por um processo de resolução.