
Depois de registrar a pior queda em um dia seguinte a uma eleição presidencial desde 2002, o mercado financeiro brasileiro opera com cautela nesta quarta-feira (28). O dólar futuro fica próximo da estabilidade, enquanto investidores acompanham a decisão de juros nos Estados Unidos e os desdobramentos do cenário político e fiscal no Brasil.
Às 9h10, o dólar futuro para novembro recuava 0,05% na B3, foi negociado a R$ 5,354. A expectativa é de que o Fed mantenha a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4,00 %. Conforme a ferramenta FedWatch, do CME Group, os contratos futuros indicavam uma probabilidade de 91% de manutenção dos juros.
A decisão do Fed, prevista para o meio da tarde, também pode influenciar o dólar no Brasil. Isso acontece porque, quando os juros nos Estados Unidos estão altos, investidores podem preferir aplicar seu dinheiro por lá, em vez de investir em países como o Brasil. Com isso, menos dólares podem entrar no mercado brasileiro, o que pode pressionar a cotação da moeda.
Ibovespa registra queda e petróleo continua em alta
Enquanto o dólar apresenta pouca variação ao início do dia, a bolsa brasileira enfrenta um movimento de redução. Por volta das 10h30, o Ibovespa, principal índice da B3, recuava 1,38%, aos 173.413 pontos.
Já o mercado de commodities também vem chamando atenção, devido à alta dos preços do petróleo. De acordo com informações do Wall Street Journal, os Estados Unidos orientaram países do Golfo a se prepararem para uma possível campanha militar contra o Irã após as eleições legislativas, previstas para terça-feira (03).
Por volta das 9h, o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 1,16%, cotado a US$ 115,20 (R$ 617,54). Já o WTI, referência no mercado americano, avançava 1,83%, a US$ 101,73 (R$ 545,33).

A alta do petróleo acontece em meio das tensões geopolíticas e reforça a atenção dos investidores aos acontecimentos internacionais, que podem provocar certas oscilações nos mercados e afetar as expectativas para a economia global.
Indicadores do mercado
Dólar
- Variação na semana: +7,15%
- Variação no mês: +3,40%
- Variação no ano: -2,52%
Ibovespa
- Variação na semana: -14,33%
- Variação no mês: -5,71%
- Variação no ano: +9,05%
Como estão os mercados internacionais?
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta na data de hoje, impulsionadas pela recuperação das ações ligadas à inteligência artificial. O movimento ocorreu após resultados financeiros positivos da fabricante de chips SK Hynix.
O índice de Xangai (SSEC) e o CSI 300, que reúne grandes empresas chinesas, avançaram 0,9%. No Japão, o Nikkei subiu 1,08%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 6,63%. Em Hong Kong, o Hang Seng registrou avanço de 0,23%.
Cenário político brasileiro também influencia o mercado
Além da decisão do Fed, os investidores acompanham os desdobramentos políticos no país. Um dos destaques é a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, realizada na terça-feira (27), segundo informações divulgadas pela Reuters.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o parlamentar entregasse seus passaportes.
No campo econômico, a situação fiscal brasileira também permanece no radar. Na terça-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o Governo pretende enviar ao Congresso um projeto de lei para formalizar o compromisso de atingir o centro da meta fiscal para 2027.
O ministro também prometeu apresentar uma proposta para regulamentar o Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, que incide sobre determinados produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
As medidas surgem em meio à pressão de investidores e empresários por maior controle das contas públicas. As expectativas em relação à arrecadação, aos gastos do Governo e ao cumprimento das metas fiscais podem influenciar tanto o câmbio quanto o desempenho d a bolsa brasileira.
Com a decisão do Fed prevista para esta tarde, o mercado segue de olho nos próximos movimentos da economia. A expectativa é entender como a decisão sobre os juros nos Estados Unidos pode afetar o dólar e os investimentos no Brasil. Além disso, os investidores continuam acompanhando as notícias políticas e fiscais do país, que também podem trazer mudanças para o mercado ao longo do dia.