Dólar
Vladimir Solomianyi/Unsplash
Dólar

O mercado financeiro brasileiro começou a semana na data de hoje (26) com fortes oscilações após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O dólar disparou, enquanto a Bolsa de Valores registrou uma queda acentuada, levando à interrupção temporária das negociações.

Por volta das 10h20, o dólar subia 12,06%, com a cotação em  R$ 5,5953, após atingir a máxima de R$ 5,6048. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu mais de 10% no início do pregão, acionando o chamado circuit breaker, que é um mecanismo de segurança automático da bolsa de valores, como a B3, que interrompe temporariamente as negociações quando o mercado sofre quedas muito bruscas e atípica.

O movimento contrasta com o resultado da última sexta-feira (23), quando o dólar caiu 0,90%, fechando a R$ 4,9930, enquanto o Ibovespa subiu 0,47%, aos 205.083 pontos.

Vitória de Lula muda as expectativas do mercado

A vitória de Lula surpreendeu uma parte dos investidores, já que muitas pesquisas divulgadas nas semanas anteriores apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro (PL).

O resultado das votações levou o mercado a rever suas expectativas para os juros, o câmbio e as contas públicas. Entre as principais preocupações estão o controle dos gastos do governo, o crescimento da dívida pública e o cumprimento das metas fiscais.

Leia também:  Reeleição de Lula: como os mercados devem reagir hoje (26)

Quando aumenta a insegurança na economia, investidores podem retirar recursos da Bolsa e buscar aplicações consideradas mais seguras, aumentando a pressão sobre as ações brasileiras e a procura por dólares.

Segundo Gustavo Cruz, economista e estrategista-chefe da RB Investimentos, a abertura do mercado com uma desvalorização de 8% é um episódio incomum. 

Nunca abriu com 8% de desvalorização. É a maior queda intradiária; no século, é a pior vez. Gustavo Cruz, economista e estrategista-chefe da RB Investimentos, em entrevista ao iG.


Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, apontou que a condução da política fiscal será decisiva para a confiança dos investidores, principalmente em relação à dívida pública, ao controle das despesas e nas metas fiscais. Já Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, destacou a possibilidade de uma PEC para revisar gastos obrigatórios e buscar o cumprimento da meta fiscal.

O que é o circuit breaker?

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Reprodução/B3

O Ibovespa variou ao longo do dia, indo de 154.058 pontos na mínima até 155.601 pontos na sua nova máxima histórica

O circuit breaker é uma maneira utilizada pela B3 para interromper temporariamente as negociaçõe s quando a Bolsa apresenta quedas muito fortes. Essa pausa permite que os investidores avaliem o cenário e reduzam decisões impulsivas de compra e venda.

Pelas regras da B3, quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao fechamento anterior, as negociações são suspensas por 30 minutos. Se a queda atingir 15% após a retomada, ocorre uma nova interrupção de uma hora. Caso chegue a 20%,  pode acontecer de ter a terceira paralisação, conforme as regras.

A última vez que o mecanismo foi acionado repetidamente foi em março de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando a Bolsa brasileira registrou seis interrupções no mesmo mês.

Outros episódios marcantes incluem a crise asiática de 1997, a desvalorização do real em 1999 e a crise financeira internacional de 2008. Também ocorreram quedas expressivas em 2020, após a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça , em 2021, após uma intervenção do Governo Bolsonaro na Petrobras, e em dezembro de 2025, após a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro  para as  eleições de 2026, segundo o levantamento.

Incerteza política e queda das ações brasileiras no exterior

Além das preocupações econômicas, possíveis questionamentos judiciais sobre o processo eleitoral também podem aumentar a instabilidade. O texto original cita a prorrogação do horário de votação pelo ministro do STF Cristiano Zanin e a intenção atribuída a Flávio Bolsonaro de pedir a anulação do pleito.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, avaliou que possíveis disputas judiciais e outros desdobramentos políticos podem aumentar a incerteza e afetar os preços dos ativos financeiros.

A reação também chegou ao exterior. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, registrava queda de 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26), após recuar mais de 19% na ultima sessão, conforme dados.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado

Dólar:

  • Acumulado da semana: -1,57%;
  • Acumulado do mês: -3,50%;
  • Acumulado do ano: -9,03%.

Ibovespa:

  • Acumulado da semana: -0,17%;
  • Acumulado do mês: +10,06%;
  • Acumulado do ano: +27,28%.

Indicadores econômicos também estão no radar

Além do resultado eleitoral, os investidores acompanham o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne projeções do mercado para inflação, crescimento econômico, câmbio e juros. 

Os juros futuros, que indicam as expectativas para as taxas nos próximos meses e anos,  registravam também forte alta nos contratos mais longos. Dados sobre confiança dos investidores e investimento estrangeiro direto completam a agenda econômica.

Petróleo e bancos centrais influenciam o cenário internacional

No exterior, os preços do petróleo continuam no radar devido às tensões entre Estados Unidos e Irã e aos riscos de interrupção no fornecimento da commodity.

Em torno das 7h40, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,40%, cotado a US$ 115,09 (R$ 572,94). Já o WTI, referência americana, recuava 1,95%, a US$ 101,26 (R$ 504,07).

Outro destaque é a decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira (28). O mercado aguardava uma possível alta dos juros americanos. Já para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a expectativa era de manutenção das taxas.

Essas decisões influenciam o fluxo internacional de investimentos e podem afetar o dólar e as bolsas de diferentes países.

Bolsas asiáticas fecham com resultados variados

Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única nesta segunda-feira, diante da cautela dos investidores com a agenda econômica da semana.

O índice de Xangai subiu 0,19 %, enquanto o CSI 300 caiu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,80%, e o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 1,46%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,51%.

O que esperar dos próximos pregões?

O comportamento do mercado brasileiro irá depender das primeiras decisões econômicas do Governo, especialmente em relação aos gastos públicos, em  dívida e às metas fiscais. No cenário internacional, as decisões sobre juros e os preços do petróleo também poderão influenciar os ativos brasileiros.

Com tantas incertezas políticas e econômicas, a volatilidade pode continuar elevada, e os investidores devem acompanhar os próximos indicadores e anúncios para avaliar os rumos da economia.

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