Coletiva de imprensa do Governo Federal para anunciar as ações
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Coletiva de imprensa do Governo Federal para anunciar as ações

O Governo Federal apresentou, na tarde desta terça-feira (29), em coletiva de imprensa, um balanço atualizado das ações da força-tarefa de combate à exploração ilegal das plataformas de bets, proibidas por meio de  Medida Provisória editada na última sexta-feira (25).  De acordo com o balanço apresentado, foi solicitado o bloqueio de 5.209 sites ilegais para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que é responsável pela notificação das prestadoras de serviço. 

Até o fim desta tarde, todos os sites já deverão estar fora do ar, segundo o secretário de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Rogério da Veiga. Já as plataformas que operavam regularmente antes da MP serão bloqueadas a partir de 6 de outubro.

Denominada "Novas medidas de proteção às famílias e à economia popular", a MP encerrou as apostas esportivas e o chamado "jogo do Tigrinho", modalidade de cassino online amplamente disseminada no país.

Além dos mais de 5,2 mil sites, foram identificados mais de 390 páginas no Facebook e Instagram com publicidade ilegal e mais de 1 milhão no Telegram de membros e usuários de canais, grupos e perfis de bets ilegais e foram identificadas nos últimos dias. Também foram notificados 186 aplicativos nas lojas da Apple e do Google  para retirada até 6 de outubro e oito grandes plataformas para remoção de publicidade de bets em até dez dias.

Ainda segundo Veiga,  o número de transações realizadas pelo Pix caiu cerca de 10%  nos três dias seguintes à publicação da medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. Integrantes do setor financeiro avaliam que a redução pode indicar um efeito da interrupção das apostas, mas reconhecem que não é possível atribuir toda a queda exclusivamente à medida.

De acordo com os números apresentados pela força-tarefa a partir de 63 autos de constatação, começaram os processos administrativos de perdimento de bens e valores de bets irregulares, com o Banco Central acionado para rastrear a cadeia de pagamentos.

Os valores eventualmente perdidos serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

Sobre o trabalho da Polícia Federal contra o jogo ilegal, segundo o balanço,  foram realizadas 12 operações desde março de 2023, com pelo menos 73 mandados de busca e apreensão, 15 de prisão e pedidos de sequestro de R$ 4,17 bilhões em bens e valores.

Também participaram da coletiva o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César;  a secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Daniele Correa Cardoso., além de Chico Lucas, Secretário Nacional de Segurança Pública - Senasp/MJSP; Victor Fernandes, Secretário Nacional de Direitos Digitais do MJSP; Carlos Renato Xavier de Resende, subsecretário de Monitoramento e Fiscalização do Ministério da Fazenda; João Brant, Secretário de Políticas Digitais/Secom, e Ricardo Morishita, Secretário Nacional do Consumidor - Senacon /MJSP.

Segundo eles, o trabalho de fiscalização vem sendo divididos em eixos, que vão desde o bloqueio dos sites ilegais até  fiscalização da publicidade. 

Já na segunda-feira, o governo  adiantou que havia retirado do ar 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas no Brasil, entre a sexta e a segunda-feira, e que um relatório técnico produzido neste domingo (27) pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), centro de inteligência cibernética da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil, analisou a publicidade direcionada ao público brasileiro na Meta, no Google e no TikTok. O documento registrou anúncios que ofertavam, promoviam ou facilitavam o acesso a apostas esportivas e jogos on-line.

Comitê de Fiscalização

Para articular e coordenar as ações para prevenção, fiscalização e repressão à oferta, à exploração e à publicidade de apostas de quota fixa, a mesma MP regulamentou o Comitê Interinstitucional de Fiscalização da Exploração e da Publicidade Ilegal de Apostas de Quota Fixa, composto por 15 representantes de órgãos federais. O Comitê se reunirá a cada seis meses, quando publicará um relatório sobre suas atividades.

O Comitê terá entre suas atribuições integrar informações sobre envolvidos nas apostas, manter cadastro de domínios, aplicativos e contas e definir ações conjuntas para bloquear sites, interromper fluxos financeiros e remover publicidade irregular. Também poderá padronizar notificações, encaminhar indícios de infrações aos órgãos competentes e elaborar relatórios semestrais sobre os resultados.

Fazem parte do comitê representantes da Casa Civil, Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; Advocacia-Geral da União; Ministério da Justiça; Ministério da Fazenda, Ministério do Esporte; do Banco Central do Brasil; Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf); Polícia Federal (PF); Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Prazos

Os principais prazos determinados pela MP vencem na próxima semana: 5 de outubro para retirada da publicidade irregular, 6 de outubro para as lojas de aplicativos retirarem os 186 apps notificados e 8 de outubro para as oito plataformas concluírem a remoção da publicidade. O descumprimento pode resultar na abertura de processos administrativos e sancionadores.

Além disso, os  apostadores têm até a próximo dia 5 para resgatar o saldo que tiver nas contas plataformas; a partir da terça, todos sites e aplicativos das plataformas serão bloqueados.

Entre os dias 7 e 8 de outubro, ainda segundo a MP, as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF. De 9 a 14 de outubro é o prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.


A partir do dia 14, havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal vai receber os recursos e providenciar a devolução aos apostadores.

Questionamentos na Justiça

A Medida Provisória que proibiu as bets passou a ser questionada na Justiça.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu ao Tribunal de Contas da Uniâo (TCU) que a entrada em vigor da proibição seja adiada para 31 de dezembro, argumentando que o prazo atual é curto e que seria necessário um período de transição para garantir segurança jurídica. 

No Supremo Tribunal Federal (STF), entidades que representam o setor também pediram a suspensão da MP. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) alegam, entre outros pontos, que não haveria urgência suficiente para justificar uma medida provisória e que a proibição rompe de forma abrupta com o marco regulatório aprovado em 2023, afetando empresas que receberam autorização para operar e fizeram investimentos no país.

Os processos estão sob relatoria do ministro Luiz Fux, e a AGU pediu 72 horas para apresentar sua manifestação.

Outra entidade, a Anseja, também acionou o STF e pediu, caso a proibição seja mantida, um período de transição de pelo menos 180 dias. Entre os argumentos estão questionamentos sobre a urgência da MP, os efeitos sobre as autorizações concedidas e a ausência de estimativa de impacto financeiro.

Assim, neste momento, a proibição continua em vigor, mas seus prazos e a própria validade da MP são alvo de questionamentos no TCU e no STF. A medida também ainda precisa ser analisada em até 120 dias pelo Congresso, que poderá manter, alterar ou rejeitar o texto.

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