A Caixa Econômica Federal marcou uma nova reunião com os empregados para a data desta quarta-feira (16), em meio à greve dos trabalhadores, que continua sem previsão de acabar.
O encontro foi agendado após uma cobrança da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), feita por meio de um ofício enviado ao banco . A reunião vai tratar da renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos empregados da instituição.
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A paralisação começou na última quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta apresentada pela Caixa para renovar o ACT . A greve segue até hoje. Segundo a Contraf-CUT, mais de 90% das bases sindicais rejeitaram o texto.
Plano de saúde é principal impasse
Planos de Saúde
A principal questão de discordância entre os funcionários e a direção da Caixa é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.
Os trabalhadores são contra as mudanças no modelo de custeio que, segundo a categoria, podem aumentar os gastos de empregados, aposentados e dependentes.
A categoria também pede que a Caixa aumente sua participação no pagamento do plano e mantenha direitos que já foram conquistados.
Além do Saúde Caixa, os trabalhadores ainda falam sobre o reajuste salarial acima da inflação, novas contratações, melhores condições de trabalho e valorização da carreira.
O que a Caixa ofereceu?
- Prêmio de R$ 3.000 por empregado;
- Pagamento, no dia 18 de setembro, do salário reajustado, PLR, Super Caixa e do prêmio de R$ 3.000;
- Aumento da participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, de 6,5% para 8%;
- Antecipação da parcela da Caixa da 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030 para ajudar na cobertura do déficit do plano;
- Pagamento dos valores do PAMS (Programa de Assistência Médico-Supletiva) a partir de 2027;
- R$ 236 milhões para ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027;
- Criação de grupos de trabalho para discutir melhorias no plano, as três fontes de renda e um modelo que destine ao Saúde Caixa parte do lucro relacionado à produtividade.
Mudanças no Saúde Caixa
A proposta também prevê mudanças específicas no plano de saúde. Veja os principais pontos:
- A consulta em pronto-socorro, fora do teto, passaria de R$ 75 para R$ 150;
- Isenção de coparticipação em telemedicina;
- Prazo de 90 dias para que titulares que estão fora do plano possam aderir;
- Quem cancelar a adesão não poderá entrar novamente no plano;
- O teto anual de coparticipação por grupo familiar passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800;
- Recadastramento anual obrigatório;
- Teto de 9% por grupo familiar;
- Dependentes indiretos ficariam fora do teto;
- Piso de R$ 50 por beneficiário;
- 13 mensalidades.
E os outros bancários?
Bancários de bancos privados e do Banco do Brasil já tiveram o reajuste salarial definido. Nos bancos privados, a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria foi assinada na semana passada na quarta-feira (9). O acordo garantiu reajuste salarial acima da inflação para em torno de 500 mil bancários.
O mesmo percentual também será aplicado aos benefícios de vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche.
Greve continua durante nova negociação
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a greve continua hoje (16), mesmo com a essa nova reunião entre Caixa e empregados.
As regionais do sindicato estão abertas desde às 7h para receber os trabalhadores, tirar dúvidas, disponibilizar materiais e oferecer apoio jurídico .
A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, afirmou que a nova reunião aconteceu após a mobilização dos trabalhadores e das entidades sindicais.
O que vai resolver a campanha é o diálogo. A Caixa precisa ouvir os trabalhadores e apresentar uma saída negociada para o impasse.O que vai resolver a campanha é o diálogo. A Caixa precisa ouvir os trabalhadores e apresentar uma saída negociada para o impasse. Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
O Comando Nacional dos Bancários na data de ontem (15), às 17h, para avaliar a greve. Também houve uma reunião do Comando de Greve. Depois desses 2 encontros, o sindicato deve divulgar um balanço da paralisação .
A Contraf-CUT e os sindicatos afirmam que a mobilização vai continuar enquanto não houver um acordo considerado satisfatório para a categoria.
O que diz a Caixa?
Em nota enviada ao iG, a Caixa afirmou que decidiu reabrir a mesa de negociação porque considera o diálogo o melhor caminho para chegar a um acordo.
O banco disse que busca uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade.
Segundo a Caixa, foram realizadas 54 reuniões de negociação coletiva até o momento. Nessas reuniões, o banco afirma ter apresentado quatro propostas diferentes, com mudanças e demandas apresentadas pelos representantes dos empregados.
A CAIXA informa que, por acreditar que o diálogo é o melhor caminho para a construção de acordos, reabriu a mesa de negociação com as entidades representativas dos empregados. Caixa em nota ao G1
A instituição também afirmou que mantém o diálogo com as entidades desde o início da campanha salarial e que busca uma solução equilibrada para as partes.
Caixa Tem continua disponível
Mesmo durante a greve, a Caixa informa que os clientes podem utilizar os canais digitais e outras formas de atendimento.
Entre as opções estão o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp da Caixa, pelo número 0800-104-0104, além dos aplicativos Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS.
O atendimento telefônico também continua pelo Alô Caixa, no número 4004-0104 para capitais e regiões metropolitanas.
A greve continua nesta quarta-feira (16), enquanto representantes dos empregados e da Caixa voltam a negociar a renovação do ACT.
*Estagiária sob supervisão