Comida parcelada
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Comida parcelada

iFood permite que usuários parcelem pedidos em até seis vezes no cartão de crédito, desde dezembro de 2025. Em apenas dois meses, mais de 1,3 milhão de pedidos foram pagos dessa forma, segundo dados divulgados pela empresa.

O número chama atenção pois mostra que o crédito não está sendo usado apenas para compras de valores altos. Ele também começa a aparecer em despesas do dia a dia, como a refeição.

De acordo com o iFood, o número de pagamentos nessa modalidade mais que dobrou em relação ao período anterior. O crescimento mostra que o parcelamento também chegou em coisas básicas e levanta uma questão sobre até onde vai o orçamento das famílias brasileiras.

O parcelamento pode ser uma alternativa para quem está com o pouco dinheiro na conta, mas, naquele momento quer comer algo diferente. O problema aparece quando os juros entram na conta.

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No iFood, as taxas vão de 3,53% em duas vezes a 8,36% em seis parcelas. Assim, uma pizza de R$ 100 parcelada em seis vezes passa a custar R$ 108,36.

No primeiro momento, pagar R$ 8,36 a mais pode não parecer muito. Mas, quando o custo é anualizado, os 8,36% cobrados em seis mese s equivalem a mais de 17% ao ano.

Ou seja, o consumidor está pagando juros por uma refeição que será consumida em poucos minutos.

Uma conta que fica para depois

O problema disso aparece quando essa parcela se junta às outras: uma da comida, outra do supermercado , outra de uma compra feita no cartão e assim por diante.

No fim do mês, valores que pareciam pequenos começam a ocupar uma parte maior da renda.

É aí que o parcelamento deixa de ser apenas uma facilidade de pagamento e passa a fazer parte de uma discussão maior sobre endividamento.

O crédito entrou nas despesas do dia a dia

O uso do crédito para pagar a alimentação também acompanha uma mudança na forma como os brasileiros lidam com as despesas do dia a dia.

Se antes o parcelamento era mais comum em compras de maior valor, como eletrodomésticos e veículos, agora também aparece em gastos da rotina, como supermercado, transporte e refeições.

Para quem enfrenta um aperto financeiro pontual, isso pode ajudar a fechar as contas. Mas, quando várias parcelas se acumulam, o valor das despesas pode ficar maior do que o salário naquele mês.

O Brasil tem oito em cada dez famílias endividadas

Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que cerca de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, em um dos maiores níveis da série histórica.

O cartão de crédito é uma das principais fontes de dívida. Quase três em cada dez famílias endividadas também têm contas em atraso.

Esse cenário ajuda a entender por que o parcelamento de uma refeição chama atenção. A preocupação não está necessariamente em dividir uma compra de R$ 50, R$ 80 ou R$ 100, mas no acúmulo de pequenas parcelas.

Quando o crédito vira complemento da renda

Quando a renda não consegue acompanhar todas as despesas, o crédito passa a funcionar como uma espécie de extensão do salário . O consumidor consegue comprar agora, mas paga com um dinheiro que ainda vai receber.

O problema é que o salário não aumenta porque uma compra foi parcelada. A dívida apenas é transferida para os meses seguintes.

Galípolo alerta para a qualidade das dívidas

Recentemente, o  presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, aproveitou a abertura da Febraban Tech 2026, na segunda-feira (24), em São Paulo, para falar sobre o avanço do endividamento das famílias.

Durante o evento, realizado no Distrito Anhembi, ele afirmou que o país precisa discutir não apenas o crescimento do crédito, mas também a qualidade, o custo e a finalidade do dinheiro emprestado.

Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu. O crédito que um banco ou uma instituição financeira dá é a dívida que alguém tomou. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

A fala ajuda a entender a relação entre os dois números, quando o crédito aumenta, a dívida de alguém também aumenta. Por isso, segundo o presidente do BC, é preciso olhar para onde esse dinheiro está sendo usado.

Os juros tornam a dívida ainda mais pesada

Segundo Galípolo, linhas de crédito pessoal com garantia podem ter taxas próximas de 27% ao ano, enquanto modalidades sem garantia podem ultrapassar 140% ao ano.

No cartão de crédito, as taxas são ainda maiores. A taxa média do rotativo chegou a 442,4% ao ano em junho de 2026, segundo dados do Banco Central.

Segundo o presidente do BC, cerca de 60 milhões de brasileiros usam o cartão sem pagar juros, enquanto aproximadamente 40 milhões recorrem ao rotativo, com taxas mensais próximas de 15%.

Se o crédito está sendo usado para pagar até o almoço, a questão vai além de quanto custa parcelar uma refeição. É preciso olhar para quanto da renda futura já está comprometida antes mesmo de ela chegar.

Vale a pena parcelar a fatura do cartão de crédito?

O parcelamento pode ser uma opção melhor quando os juros são menores que os do rotativo e a parcela cabe no orçamento. Caso contrário, a dívida pode apenas ser empurrada para os próximos meses.

Como quitar a dívida do cartão de crédito?


Passos para organizar dívida com cartão
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Passos para organizar dívida com cartão

Se a fatura ficou pesada e os juros começaram a aumentar a dívida, alguns passos podem ajudar a organizar as contas e evitar novos atrasos.

  • Descubra quanto você deve: Peça ao banco o CET (Custo Efetivo Total) para saber quanto a dívida realmente vai custar, incluindo juros e encargos. Também confira se existem outros cartões ou contas em atraso.
  • Veja quanto cabe no seu bolso: Faça as contas e defina quanto pode ser pago por mês sem comprometer as despesas básicas. Uma planilha ou aplicativo pode ajudar nesse controle.
  • Negocie com o banco: Procure a instituição e compare as opções disponíveis, como o parcelamento da fatura. A parcela precisa caber no orçamento para evitar um novo atraso.
  • Confira o custo antes de aceitar: Não olhe apenas para o valor da parcela. Veja também a taxa de juros, o número de meses e quanto será pago no final.
  • Reveja os gastos: Enquanto a dívida estiver sendo paga, vale reduzir despesas que podem esperar. O objetivo é abrir espaço no orçamento para manter as parcelas em dia.
  • Evite novas compras parceladas: Novas parcelas podem dificultar ainda mais a organização das contas. Antes de usar o cartão, avalie se a compra é realmente necessária naquele momento.
  • Compare outras opções de crédito: Se os juros do cartão continuarem altos, compare alternativas como empréstimo pessoal, consignado ou crédito com garantia. A troca só vale a pena se o novo crédito tiver um custo menor e a parcela couber no orçamento.

*Estagiária sob supervisão

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