
O Governo Federal projeta elevar o salário mínimo para R$ 1.717 em 2027, conforme estimativa apresentada no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), encaminhado ao Congresso Nacional em abril. Caso seja confirmada, o novo piso ficará R$ 96 acima do valor atual R$ 1.621, o equivalente a um reajuste de 5,92%.
A estimativa, ainda poderá ser alterada. Isso porque o valor definitivo depende da inflação acumulada até novembro de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além dos demais critérios previstos na legislação.
O cálculo começa com a projeção apresentada no PLDO e, depois, é incorporado ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Somente após a divulgação do INPC em novembro e a publicação de decreto presidencial é que o novo salário mínimo será oficializado para começar no próximo ano.
Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, a projeção considera um ganho real de 2,5%, acima da inflação. A medida mantém a política de valorização do salário mínimo e busca ampliar o poder de compra dos trabalhadores que recebem o piso nacional.
A política permanente de valorização do salário mínimo foi retomada pela Lei nº 14.663/2023. O reajuste considera a inflação medida pelo INPC e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, garantindo aumento acima da inflação quando a economia registra expansão.

Para 2027, será considerado o desempenho da economia em 2025. Mesmo que o crescimento do PIB seja superior, o aumento acima da inflação está limitado a 2,5%, conforme é determinado pelo arcabouço fiscal.
Depois de aprovado pelo Congresso, o PLDO se transforma na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que orienta a elaboração do Orçamento Federal. Posteriormente, o valor definitivo será incorporado à Lei Orçamentária Anual (LOA), responsável por autorizar os gastos do governo no exercício seguinte.
O que é o INPC e por que ele influencia o salário mínimo?
O INPC é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mede a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda mensal entre um e cinco salários mínimos.
Na prática, o indicador acompanha o impacto da inflação sobre essa parcela da população e é utilizado para corrigir o salário mínimo. Ou seja, quanto maior a inflação medida pelo INPC, maior tende a ser a parcela do reajuste destinada a preservar o poder de compra dos trabalhadores.
O que muda se o salário mínimo aumentar?
Se a projeção for confirmada, o reajuste poderá impactar não apenas os trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas também diversos benefícios sociais vinculados ao piso nacional, sendo eles:
- aposentadorias e benefícios do INSS;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- seguro-desemprego;
- abono salarial PIS/Pasep.
Mesmo com aumento, valor segue distante do básico
Mesmo que seja aprovado, o novo salário mínimo continua abaixo do valor estimado para cobrir as despesas essenciais de uma família de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O chamado salário mínimo deve levar em conta gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, conforme a Constituição.
Em junho de 2026, esse valor foi estimado em R$ 8.110,92. Caso a projeção do Governo seja confirmada e o salário mínimo passe para R$ 1.717 em 2027, o piso continuará representando menos de um quarto do montante calculado pelo DIEESE.
*Estagiária sob supervisão