José Núñez Romaniz com os dois policiais a quem entregou o dinheiro. DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE ALBUQUERQUE / FACEBOOK
Divulgação: Facebook
José Núñez Romaniz com os dois policiais a quem entregou o dinheiro. DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE ALBUQUERQUE / FACEBOOK

Você devolveria uma sacola com cerca de R$ 750 mil encontrada ao lado de um caixa eletrônico? Essa foi a situação vivida por José Nuñez Romaniz, de 19 anos, em Albuquerque, no estado do Novo México, nos Estados Unidos. O que parecia ser apenas mais um dia comum terminou com uma homenagem, presentes e até um convite para seguir a carreira que sempre sonhou.

Naquele dia, José seguia para o banco para depositar um dinheiro que usaria na compra de meias para o avô. Ao chegar ao caixa eletrônico, percebeu uma grande sacola plástica transparente deixada ao lado da máquina.

Curioso, aproximou-se e ficou alguns segundos sem acreditar no que via.

"Quando vi pela primeira vez, fiquei olhando por alguns segundos, sem saber o que fazer. Fiquei muito chocado. Nunca vi tanto dinheiro", relembrou.

Depois do susto inicial, ele fotografou a sacola. Na parte externa havia uma etiqueta indicando US$ 60 mil em notas de US$ 20. Após a contagem feita pela polícia, foram encontrados mais US$ 75 mil em notas d e US$ 50, totalizando US$ 135 mil,  por volta de R$ 750 mil.

Apesar da quantia, José afirma que nunca cogitou ficar com o dinheiro.

"Nunca me passou pela cabeça guardar nada disso", disse.

A primeira preocupação foi fazer a coisa certa

A reação do estudante foi tentar encontrar uma forma de devolver o dinheiro . Em vez de ligar para o banco, preferiu acionar o serviço de emergência 911 para evitar qualquer mal-entendido.

Enquanto aguardava a chegada dos policiais, colocou a sacola dentro do carro apenas para protegê-la e liberar o caixa eletrônico para outras pessoas. Em seguida, avisou a mãe que chegaria um pouco tarde em casa.

José Núñez Romaniz com os dois policiais a quem entregou o dinheiro. DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE ALBUQUERQUE / FACEBOOK
Divulgação: Facebook
José Núñez Romaniz com os dois policiais a quem entregou o dinheiro. DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE ALBUQUERQUE / FACEBOOK

Poucos minutos depois, os agentes chegaram ao local, recolheram o dinheiro e registraram a ocorrência. Segundo José, os pais custaram a acreditar na história, mesmo depois de verem a foto da sacola.

A investigação apontou que o dinheiro havia sido esquecido por um funcionário terceirizado do Wells Fargo responsável pelo abastecimento do caixa eletrônico.

Para Simon Drobik, porta-voz do Departamento de Polícia de Albuquerque, o caso foi um dos mais marcantes da carreira.

"Já vi muita coisa em 21 anos, mas isso foi algo único e revigorante para o departamento e para a cidade. Acho que esta é a maior quantia de dinheiro já encontrada e devolvida em Albuquerque", afirmou.

O telefone tocou e veio a surpresa

Dias depois, enquanto ajudava na empresa de colchões da família, José recebeu uma ligação inesperada.

Do outro lado da linha estava justamente um dos policiais que atendeu a ocorrência.

"Ele me perguntou como era ser um herói na cidade. No começo eu não entendi. Depois explicou que haveria uma cerimônia para me homenagear e queria que eu levasse minha família", contou.

A homenagem reuniu cerca de 50 pessoas na Academia de Polícia de Albuquerque, entre autoridades, policiais, familiares e representantes do banco.

Durante a cerimônia, o prefeito Tim Keller destacou que poucas pessoas resistiriam à tentação de encontrar tanto dinheiro.

"Cara, todos nós conhecemos essa tentação. Mesmo que fosse só pegar um pouquinho, só um daqueles maços lá de cima. Deve ter sido muito difícil", afirmou.

Além do reconhecimento público, José recebeu uma placa, cartões-presente, equipamentos esportivos e uma bolsa de estudos de US$ 500 oferecida por uma  companhia elétrica.

"Meus pais ficaram emocionados, principalmente minha mãe. Eu estava mais nervoso do que qualquer outra coisa, porque era a minha primeira vez no noticiário", disse.

Segundo ele, toda a repercussão foi inesperada. O gesto que considerava apenas a decisão certa acabou sendo visto como um exemplo de honestidade.

Honestidade abriu portas

Ao descobrir que José cursava justiça criminal e sonhava em trabalhar na segurança pública, o policial Simon Drobik o convidou para participar do processo seletivo do Departamento de Polícia de Albuquerque.

O estudante foi até a delegacia e se inscreveu para uma vaga de auxiliar de serviços públicos, considerada a porta de entrada para quem deseja seguir carreira como policial.

"Desde criança, sempre quis ser perito criminal ou detetive da polícia. Já tinha isso em mente", afirmou.

A história também chamou atenção nas redes sociais. José passou a receber mensagens de apoio de pessoas de diferentes partes dos Estados Unidos.

O reconhecimento foi além. O Albuquerque Isotopes, equipe de beisebol da liga menor, convidou o jovem para fazer um arremesso simbólico antes de uma cerimônia.

Para Simon Drobik, a atitude mostrou que gestos de honestidade ainda têm o poder de inspirar.

"A família era muito humilde. Foi incrível conhecê-los. Há um bem maior ali. Eles não ficaram impressionados com as ações de José, mas todos os outros ficaram."

O que começou com uma simples ida ao banco terminou de uma forma que José jamais imaginou. Ao devolver o dinheiro, ele não apenas ajudou a recuperar uma grande quantia esquecida, mas também ganhou o reconhecimento da cidade e deu o primeiro passo para realizar o sonho de trabalhar na polícia.

*Estagiária sob supervisão

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes