
A partir desta quinta-feira (1), entra em vigor o novo salário mínimo no Brasil, fixado em R$ 1.621,00 mensais, conforme Decreto nº 12.797/2025 publicado no Diário Oficial da União. O valor representa um reajuste de aproximadamente 6,8% em relação ao piso anterior de R$ 1.518 e passa a valer oficialmente neste início de ano.
Embora já esteja vigente, o pagamento com o novo valor será efetuado a partir da folha de janeiro, que costuma cair na conta dos trabalhadores no início de fevereiro.
Quem é impactado pelo novo salário mínimo
O reajuste do salário mínimo não afeta apenas os trabalhadores formais que recebem o piso nacional. Ele serve de referência legal para diversos benefícios trabalhistas, previdenciários e sociais, alterando automaticamente o valor de pagamentos atrelados ao piso-nacional.
Benefícios do INSS: aposentadorias e pensões

Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem o valor mínimo terão seus benefícios atualizados de forma automática para o novo piso de R$ 1.621. Essa atualização é padrão para quem recebe até um salário mínimo.
Além de aumentar a renda mensal desses beneficiários, o novo piso também expande a capacidade de crédito consignado, já que a margem compromissável, parte da renda que pode ser comprometida para empréstimos, aumenta em proporção ao novo valor.
BPC: Benefício de Prestação Continuada
O Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, também será reajustado automaticamente para R$ 1.621.

Além disso, o critério de renda familiar per capita para acesso ao benefício, que é calculado com base em um percentual do salário mínimo, também será atualizado. Em 2026, a renda mensal por pessoa da família precisa ser igual ou inferior a 25% do novo mínimo para garantir o direito ao BPC.
Seguro-desemprego e outros benefícios trabalhistas
O valor mínimo do seguro-desemprego, benefício voltado a trabalhadores que perderam o emprego sem justa causa, também acompanha o aumento do salário mínimo, ou seja, nenhuma parcela pode ser inferior a R$ 1.621 em 2026.

Outros benefícios atrelados ao piso, como pequenas indenizações trabalhistas e parcelas relacionadas a contratos e convenções, também seguem o novo valor base. Esses efeitos estão previstos na legislação que pauta o ajuste anual do piso.
MEI e contribuições previdenciárias
Os microempreendedores individuais (MEI) também sentem o impacto do novo valor. A contribuição mensal ao INSS, que é calculada como um percentual do salário mínimo, aumentará proporcionalmente. Por exemplo, o MEI contribuinte com alíquota de 5% verá sua contribuição subir para cerca de R$ 81,05 mensais em 2026.
Como isso afeta o bolso das famílias
Segundo estimativas de institutos especializados, o novo piso salarial influencia diretamente a renda de mais de 60 milhões de brasileiros, entre trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.

O aumento do mínimo significa uma injeção adicional de renda na economia, estimada em cerca de R$ 81,7 bilhões ao longo do ano,com reflexos no consumo e na atividade econômica em geral.
Outro ponto: abono salarial e programas sociais
Embora o abono salarial (PIS/Pasep) não seja reajustado automaticamente por lei com o mínimo, ele é calculado com base no piso nacional como referência. Dados oficiais indicam que o benefício pago ao trabalhador pode variar até o valor equivalente a um salário mínimo inteiro, dependendo do tempo trabalhado e das regras vigentes.
Programas de transferência de renda, como o Bolsa Família (ou Auxílio Brasil), seguem calendários próprios e critérios estabelecidos pelo governo, mas o novo piso também influencia os parâmetros de renda que determinam quem se qualifica para receber esses benefícios.