O preço da prata
disparou nos mercados internacionais nos últimos dias e passou a ser negociado em níveis históricos, impulsionado por uma combinação de demanda industrial elevada, restrição de oferta e mudanças nas regras de exportação da China, fatores que pressionam o mercado global.
No mercado internacional, a prata ultrapassou U$ 80 por onça (cerca de R$ 440, na cotação atual), atingindo máximas acima de U$ 83 (R$ 455), consolidando um dos desempenhos mais fortes entre as commodities no ano. Ao longo de 2025, a prata acumula ganhos superiores a 180% no mercado global, impulsionada pela forte demanda industrial e por estoques apertados.
A alta ganhou ainda mais visibilidade após um comentário público do empresário Elon Musk, que afirmou que o movimento “não é algo bom”. A declaração faz referência ao impacto do encarecimento da prata sobre setores industriais que dependem do metal, como tecnologia, energia e mobilidade elétrica.
O que está por trás da alta da prata
A valorização ocorre em um momento de forte demanda por metais utilizados na indústria de tecnologia e energia. A prata é componente essencial em painéis solares, veículos elétricos, baterias e equipamentos eletrônicos, setores que seguem em expansão global e ampliam o consumo do metal.
Além disso, a China anunciou a adoção de um novo sistema de licenças para exportação de prata, com início previsto para 1º de janeiro de 2026. A medida integra um pacote mais amplo de controle sobre minerais estratégicos e aumentou a preocupação do mercado com o fornecimento global. A mudança reduziu a previsibilidade da oferta internacional e contribuiu para a escalada dos preços.
Reflexo imediato nos mercados e no varejo
Com a valorização no mercado internacional, o impacto foi sentido também no preço ao consumidor em grandes centros da Ásia. Em Chennai, na Índia, a prata passou a ser negociada em torno de ₹ 2,73 mil por kg (cerca de R$ 165), enquanto em Mumbai, na Índia, e Delhi, na Índia, os valores giram em torno de ₹ 2,50 mil por kg (aproximadamente R$ 150).
A diferença de preços entre as cidades reflete fatores como tributação local, logística e dinâmica regional de oferta e demanda.
Em paralelo, a prata voltou a atrair recursos como ativo de proteção, em meio às expectativas de mudanças na política de juros dos Estados Unidos e ao aumento da incerteza econômica internacional.
Consequências para a indústria
A alta da prata acende um alerta para empresas dos setores de tecnologia, energia renovável e automotivo, que utilizam o metal como insumo estratégico. O encarecimento pode elevar custos de produção e pressionar preços finais de equipamentos, veículos e componentes eletrônicos.
Especialistas avaliam que o mercado deve continuar sensível a novos anúncios relacionados à oferta e ao comércio internacional. Apesar da tendência de alta, a expectativa é de volatilidade, com possíveis ajustes após movimentos intensos.