O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, assumiu nesta terça-feira (1º) os cargos de Vice Chairman e Chefe Global de Políticas Públicas do Nubank . A nomeação acontece exatamente seis meses após o fim de seu mandato à frente do BC, período correspondente à “quarentena” obrigatória prevista para ex-dirigentes de autarquias, com o objetivo de evitar conflitos de interesse. A informação foi divulgada pelo site oficial do Nubank.
Campos Neto se reportará diretamente ao CEO do banco digital, David Vélez, e terá como uma de suas principais funções fortalecer as relações com reguladores financeiros internacionais, além de contribuir para a formulação de estratégias de expansão global da instituição. A contratação já havia sido anunciada em maio, mas o início das atividades foi condicionado ao cumprimento integral do prazo legal.
À frente do Banco Central entre 2019 e 2024, Campos Neto participou de diversas iniciativas de modernização do sistema financeiro brasileiro, sendo um dos principais articuladores do Pix , do Open Finance e do fortalecimento dos bancos digitais. Indicado por Jair Bolsonaro e reconduzido ao cargo após a aprovação da autonomia do BC, ele foi substituído por Gabriel Galípolo, nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar de seguir todos os trâmites legais, a ida de Campos Neto para o Nubank gerou incômodo nos bastidores do mercado financeiro. A movimentação reacendeu debates sobre a ética e os limites da relação entre o setor público e o privado, principalmente porque o ex-presidente do BC passa a integrar uma instituição que, até recentemente, era supervisionada por ele — e que compete com os grandes bancos tradicionais.
A escolha de Campos Neto marca uma mudança de postura em relação aos seus antecessores no BC. Ilan Goldfajn e Alexandre Tombini seguiram carreira em organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Henrique Meirelles foi para a Autoridade Pública Olímpica antes de se envolver com a política. Já nomes como Armínio Fraga e Gustavo Franco optaram por fundar suas próprias gestoras.
Proposta no Senado quer endurecer regras para ex-dirigentes do BC
Segundo a Agência Senado, foi proposta nesta terça-feira (1º) uma nova lei que pode mudar as regras de transição entre o setor público e o privado para dirigentes do Banco Central. O senador Cid Gomes (PSB) apresentou um projeto de lei complementar (PLP 144/2025) que amplia de seis meses para quatro anos o período de quarentena obrigatório para ex-presidentes e ex-diretores da instituição antes que possam assumir cargos na iniciativa privada.
Durante o anúncio no Plenário, Cid questionou a eficácia das normas atuais em preservar o interesse público, sugerindo que a breve quarentena vigente não garante a imparcialidade de quem conduz a política monetária do país. Segundo o senador, a proposta busca mitigar potenciais conflitos de interesse e reforçar a confiança na atuação do Banco Central.
O PLP 144/2025 aguarda despacho para distribuição às comissões temáticas do Senado, etapa inicial de sua tramitação legislativa. Por se tratar de uma proposta de emenda à legislação complementar, o projeto exigirá, após a análise nas comissões, deliberação em votação plenária. Caso obtenha aprovação no Senado, seguirá para apreciação da Câmara dos Deputados.