Governo prevê crescimento de 2% da economia este ano, com inflação de 7,2%
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Governo prevê crescimento de 2% da economia este ano, com inflação de 7,2%

O Ministério da Economia aumentou sua projeção de crescimento do  Produto Interno Bruto (PIB) para 2022 de 1,5% para 2%. A pasta também revisou a estimativa de  inflação medida pelo IPCA para taxa 7,2% da prevista anteriormente, de 7,9%%.

Os números foram divulgados na manhã desta quinta-feira (14). Esses e outros indicadores macroeconômicos servem de parâmetros para a revisão bimestral do Orçamento, que deverá ser concluída no início da próxima semana.

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Para 2023, as projeções para o PIB e a inflação, feitas pela área econômica do governo, são de, respectivamente, um crescimento 2,5% da economia, e uma taxa de 4,5% do IPCA. No ano passado, a economia cresceu 4,6%, depois de uma queda de 4,1% em 2020, devido aos efeitos da pandemia de Covid-19.

Em março último, o governo revisou para baixo sua estimativa de crescimento do PIB, de 2,1% para 1,5%. Agora, há uma percepção de melhora da atividade econômica brasileira, com o aumento da arrecadação e a desoneração de tributos de bens e serviços.

Ao refazerem sua estimativa para o PIB deste ano, os técnicos levaram em conta a alta de 1% no primeiro trimestre deste ano, com destaque para serviços (1%) e a recuperação da indústria (0,1%), apesar do recuo de 0,9% da agropecuária. No acumulado em quatro trimestres, até março deste ano, o PIB teve um crescimento de 4,7%.

“Nesse ambiente, as expectativas de mercado vêm sendo ajustadas para cima e já apontam mediana para alta de 1,6% no PIB para 2022”, diz um trecho de um boletim divulgado pela pasta.

Outros fatores são a melhora na confiança dos empresários do setor serviços, do comércio e dos consumidores. Além disso, no mercado de trabalho, a taxa de desemprego mostrou recuo para 9,8% da População Economicamente Ativa (PEA), verificada em maio/2022,com recuperação da população ocupada, formal e informal, resultando em 1,7 milhão de novas ocupações no acumulado do ano até maio.

Fontes da área econômica também avaliam que as medidas tomadas para reanimar a economia, que valem até 31 de dezembro deste ano, contribuem para esse otimismo. Uma delas é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), aprovada ontem no Congresso, que amplia em R$ 200 o valor do Auxílio Brasil e concede benefícios a usineiros, caminhoneiros e taxistas. A PEC Eleitoral permitirá a liberação de R$ 41,2 bilhões.

Esses interlocutores destacam, entre as medidas já tomadas, a limitação do ICMS estadual para 17% ou 18% sobre combustíveis, energia e telecomunicações e a permissão de saques de até R$ 1 mil pelos trabalhadores com conta no FGTS. Os governadores reclamam dessas mudanças, enquanto a PEC Eleitoral é criticada por especialistas.

Outro fator que anima a equipe econômica do governo é a leve melhora das previsões do mercado. Segundo a última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central após colher informações com as principais instituições financeiras, a projeção de crescimento da economia brasileira em 2022 voltou a subir, de 1,51% para 1,59%.

Contudo, de acordo com o boletim divulgado pelo Ministério da Economia, o cenário internacional continua desafiador: "Observam-se revisões baixistas do crescimento global e o patamar ainda elevado dos preços das commodities de energia e alimentos".

As estimativas de crescimento do PIB dos países desenvolvidos, segundo a Bloomberg, foram revisadas de 3,8%, no início do ano, para 2,6%n o fim de junho de 2022. Resultado semelhante ocorre para os países emergentes, cujas projeções foram alteradas de 5,0% para 3,7% nestes mesmos períodos.

"Essas revisões, em grande medida, são respostas à deterioração do cenário geopolítico – guerra no Leste Europeu – e da piora das condições financeiras, explicada pela elevação da curva de juros. A taxa de juros mensal para 5 anos nos Estados Unidos atingiu o maior patamar desde 2008. Resultado semelhante ocorre para a Alemanha, França e outros países europeus cujo nível da taxa de juros está no maior patamar desde a crise de 2012", diz o trecho da nota técnica divulgada pela pasta.

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