Mundo passará por menos crescimento e mais inflação, diz Campos Neto
José Cruz/Agência Brasil
Mundo passará por menos crescimento e mais inflação, diz Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (23) que o mundo passará por um "período relativamente longo" de menos crescimento e mais inflação com a guerra na Ucrânia.

A declaração foi feita em um evento promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre regras fiscais.

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Campos Neto também acredita que a invasão russa se mostrou muito mais intensa do que se imaginava e ressaltou o papel das mídias sociais e das empresas privadas na guerra.

Ele ainda apontou a crise energética como impacto de curto prazo do conflito, apesar de reforçar que o custo com energia já havia aumentado na Europa durante a pandemia de Covid-19. Em longo prazo, o presidente do BC prevê uma mudança nas matrizes energéticas e nos sistemas de produção.

Porém, o chefe da autoridade monetária vê um cenário de oportunidades para o Brasil. Para ele, a alta de minerais e alimentos (caso haja fertilizantes) será positiva para o país, que é um grande exportador dessas commodities. Por outro lado, a disparada dos combustíveis fósseis foi apontada como negativa, já que o mercado interno depende de importação.

Campos Neto afirmou ainda que observa uma melhora fiscal no Brasil no curto prazo, citando que o aumento nos preços de commodities melhora as contas do governo. "O aumento de preços de commodities melhora o fiscal, porque aumenta a arrecadação não só do governo federal como dos governos estaduais".

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O Brasil também seria beneficiado pela redivisão das cadeias de valor. "O país tem uma oportunidade secular, se estiver no lugar certo com as políticas certas, de entrar nessas cadeias globais de valor".

Inflação no Brasil

Durante o evento, Roberto Campos Neto disse que há um problema de inflação mais grave no mundo todo e que alguns países já começaram a perceber isso, subindo os juros, algo que o Brasil teria antecipado.

"Países ainda vão precisar subir bastante os juros para atingir juros neutros", afirmou.

Ele voltou a falar que a inflação no Brasil deve atingir o pico em abril.

E depois acrescentou: "O Brasil tem se diferenciado no combate à inflação, tem sido mais atuante em uma inflação que entendemos ser mais persistente. A gente precisa endereçar esse problema com serenidade e firmeza".

Para combater a alta dos preços, o Comitê de Política Monerária (Copom) do Banco Central tem elevado a taxa básica de juros. Na semana passada,  a Selic foi reajustada em 1 ponto percentual, passando para 11,75%, o maior patamar nos últimos cinco anos.

Em fevereiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve alta de 1,01%,  chegando a 10,54% nos últimos 12 meses.

** Gabrielle Gonçalves é jornalista em formação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Estagiária em Brasil Econômico. No iG desde agosto de 2021, tem experiência em redação e em radiojornalismo, com passagens pela Rádio Unesp FM e Rádio Metropolitana 98.5 FM.

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