Dólar cai para abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde julho
Lorena Amaro
Dólar cai para abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde julho

O dólar opera em queda, chegando a furar o patamar de R$ 5, o que não ocorria desde julho de 2021. A Bolsa, por sua vez, sobe nesta quarta-feira (23). Os investidores seguem monitorando o desenrolar das tensões entre Rússia e Ucrânia, além de novos dados de inflação no Brasil.

Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 4,9985, mas subiu um pouco logo depois. Por volta de 11h40, era cotado a R$ 5,0060, queda de 0,89%. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,07%, aos 112.973 pontos.

No pregão, a moeda americana não é negociada abaixo de R$ 5 desde julho. Considerando a cotação de fechamento, isso não acontece desde o dia 30 de junho de 2021, quando fechou em R$ 4,9728, segundo o Valor Data.

Entre no  canal do Brasil Econômico no Telegram e fique por dentro de todas as notícias do dia

Por que caiu tanto?

A melhora recente na taxa de câmbio reflete uma série de fatores. Desde o início do ano, o Brasil vem se aproveitando de uma rotação de carteira dos investidores internacionais.

Eles têm procurado papéis de “valor”, como são conhecidas as empresas com histórico mais consolidado, entre elas as de commodities e bancos, setores com forte peso no índice brasileiro.

Até o pregão do dia 21 de fevereiro, a entrada de fluxo estrangeiro no segmento secundário da B3, aquele com ações já listadas, estava positivo em R$ 56,76 bilhões.

No mês de janeiro, a Bolsa atraiu R$ 32,49 bilhões de investidores fora do Brasil, o quarto mês seguido de ingresso de recursos e a segunda maior marca em um período de dez anos.

Além disso, a alta das commodities e o diferencial de juros do Brasil em relação às economias desenvolvidas também ajudam o real. Enquanto os bancos centrais começam a dar os primeiros passos para a elevação das taxas de juros, no Brasil, a Selic já está em 10,75%.

E vale destacar que na visão dos especialistas, o dólar poderia estar ainda mais barato, não fossem os riscos fiscais internos.

Ações da Americanas em alta

Na Bolsa, as ações da Americanas são o destaque do dia. Os papéis ordinários da empresa (AMER3) lideram as altas do Ibovespa, com avanço de 7,02%, negociados a R$ 31,88.

O grupo Americanas - que controla as marcas Submarino, Americanas, Sou Barato e Shoptime - informou nesta quarta-feira  que está restabelecendo "gradualmente e com segurança" seus ambientes de e-commerce.

Leia Também

Os sites de Americanas e Submarino estavam fora do ar desde sábado, sob suspeita de um ataque hacker, o que derrubou as ações da empresa e  a fez perder mais de R$ 3 bilhões em valor de mercado até ontem.

Investidores de olho na inflação

Após vários pregões olhando mais para o que acontecia no exterior, os investidores redirecionam parte da atenção para a cena interna, com a divulgação de números de inflação acima do esperado.

Segundo dados do IBGE, o IPCA-15 de fevereiro, prévia da inflação oficial,  subiu 0,99% ante alta de 0,58% registrada em janeiro. É o maior avanço para um mês de fevereiro desde 2016, quando chegou a 1,42%.

O resultado, pressionado pelos reajustes na educação e pelo aumento nos preços dos alimentos, levou o indicador a acumular 10,76% em 12 meses.

Quanto ao conflito geopolítico entre Rússia e Ucrânia, os agentes de mercado repercutem as sanções de diversos países ocidentais contra os russos.

Em um primeiro momento, as punições são avaliadas como não tão duras, além de funcionarem como um instrumento para manter a Rússia na mesa de negociações diplomáticas a fim de impedir o acirramento do conflito.

Nesta quarta, o governo da Ucrânia adotou uma série de medidas de preparação para uma guerra, desde convocar reservistas a pedir para seus cidadãos deixarem a Rússia imediatamente.

Expectatica com Petrobras

Os investidores também seguem avaliando os resultados dos balanços corporativos do quarto trimestre de 2021. O destaque do dia é a divulgação dos números da Petrobras após o fechamento.  A expectativa é que a estatal divulgue um lucro anual recorde.

As ações ordinárias da empresa (PETR3, com direito a voto) cediam 0,06% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto) subiam 0,39%.

As ordinárias da Vale (VALE3) avançavam 0,32% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3) caíam no mesmo patamar.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) cediam 0,27%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) tinham altas de 0,66% e 0,43%, resspectivamente.

Petróleo cai

No mercado de commodities, o petróleo operava em queda após quase ultrapassar a barreira dos US$ 100 na terça-feira.

Por volta de 10h, o preço para o contrato de abril do petróleo tipo Brent cedia 0,17%, negociado a US$ 96,68, o barril. á o contrato para o mesmo mês do tipo WTI cedia 0,25%, cotado a US$ 91,68, o barril.

Bolsas no exterior

As bolsas europeias operavam com altas. Por volta de 10h35, em Brasília, a Bolsa de Londres subia 0,67% e a de Frankfurt, 1,08%. Em Paris, ocorria alta de 1,40%.

Na Ásia, as bolsas se recuperaram das perdas da véspera. A Bolsa de Hong Kong subiu 0,60% e a da China, 0,93%.

No Japão, não houve negociações por causa de um feriado.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários