Indústria de alimentos cresce e gera 21 mil postos de trabalho em 2021
Reprodução/iG Minas Gerais
Indústria de alimentos cresce e gera 21 mil postos de trabalho em 2021

Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) apontou um crescimento de 3,2% nas vendas do setor em 2021. Juntos, os mercados interno e externo foram responsáveis pelo faturamento de R$ 922,6 bilhões, volume que representa 10,6% do PIB estimado para o ano passado. Essa alta impulsionou a criação de 21 mil postos de trabalho durante o período.

Considerando apenas as vendas para o mercado interno, que representam 73,5% do faturamento, o aumento foi de 1,8%. O resultado foi impulsionado pela reabertura dos estabelecimentos, pela aceleração da transformação digital e pela ampliação do delivery.

As exportações, por sua vez, aumentaram 18,6% e atingiram o patamar recorde de US$ 45,2 bilhões. Isso se deve à retomada econômica mundial e à taxa de câmbio favorável.

“O avanço da vacinação e o retorno do setor de serviços contribuíram de forma decisiva para a expansão da produção, com geração positiva de emprego e renda no setor. A demanda por alimentos se manteve crescente no Brasil e no mundo, o que fez com que as empresas mantivessem a produção a todo vapor, e contratando mão de obra”, explica o presidente da ABIA, João Dornellas.

Alta das commodities e escassez de embalagens aumentaram os custos

Em 2021, a elevação dos preços das commodities agrícolas levou a um aumento no custo de produção dos alimentos industrializados. Ao final do ano, o Índice de Preços da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontou que elas atingiram o maior patamar em 10 anos, apresentando uma alta acumulada de 28,1% em relação à média de 2020.

No mercado interno, as perdas de produção provocadas pela estiagem prolongada em várias regiões produtoras contribuíram para reduzir a disponibilidade interna de café, milho, cana-de-açúcar e leite, elevando os preços médios em, respectivamente, 60,3%; 42,7%; 36,1%; 24,1%.

No caso das embalagens, a indústria enfrentou altas que chegaram a 100%.

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Perspectivas para 2022

Apesar de o cenário atual para a economia brasileira apontar a projeção do PIB entre 0,5% e 1%, as perspectivas para a indústria de alimentos em 2022 se mantêm positivas: espera-se um aumento de 2% nas vendas reais, mesmo se as pressões nos custos de produção persistirem.

Entre os fatores de estímulo ao consumo neste ano estão a correção de 10,06% do salário mínimo e o processo gradual de recuperação no emprego, inclusive o formal, que contribuem para a melhoria do poder aquisitivo da população.

As vendas no mercado interno deverão seguir em ritmo de crescimento próximo ao apurado em 2021, mais uma vez com destaque para o setor de food service, que pode alcançar 29% de participação nas vendas da indústria. O volume de exportações também apresenta cenário promissor, podendo chegar a US$ 46 bilhões.

Do lado da oferta, a entrada da nova safra de grãos, a partir de fevereiro – se confirmadas as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), de expansão de até 12,5% no volume de produção - contribuirá para melhorar a disponibilidade de matérias-primas e reduzir as pressões sobre os custos de produção.

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