Mais pobres sentem inflação quase duas vezes mais do que ricos em janeiro
Ana Branco/Agência O Globo
Mais pobres sentem inflação quase duas vezes mais do que ricos em janeiro

Os mais pobres sentiram a inflação quase duas vezes mais do que os mais ricos em janeiro, revelam dados divulgados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) nesta terça-feira (15). No mês passado, os preços subiram 0,63% para as famílias com renda considerada muito baixa. Enquanto isso, as famílias com renda alta tiveram inflação de 0,34% no mesmo período.

Segundo o instituto, essa alta entre os mais pobres foi influenciada, sobretudo, pelo aumento dos preços de alimentos e bebidas. Esse segmento respondeu por quase metade da inflação sentida pelo grupo (0,31 ponto percentual).

Apesar da queda de itens como arroz (-2,7%), feijão (-3,0%) e aves e ovos (-0,8%), houve expressivos aumentos de produtos in natura — cenoura (27,6%), laranja (14,9%), banana (11,7%) e batata (9,7%), além das carnes (1,3%), do café (4,8%) e do óleo de soja (1,4%). 

O estudo do Ipea mede a inflação para as seis faixas de renda domiciliar. As famílias com renda considerada muito baixa são aquelas que recebem até R$ 1.808,79 mensais. Já as com renda alta faturam acima de R$ 17.764,49 por mês.

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De fato, todas as seis faixas sentiram desaceleração dos preços entre dezembro e janeiro. Ou seja, os preços continuaram subindo, mas em um ritmo menor.

Para os mais pobres, a inflação passou de 0,74% em dezembro para 0,63% em janeiro. Já para a camada mais alta, ela pulou de 0,82% para 0,34%.

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A pressão menor sobre os mais ricos se deu pela queda dos combustíveis — gasolina (-1,1%) e etanol (-2,8%) —, das passagens aéreas (-18,4%) e do transporte por aplicativo (-18%).

Inflação em 12 meses

Na comparação com janeiro do ano passado, os dados mostram que a inflação subiu em 2022 para todas as faixas. A maior alta, no entanto, foi sentida pelas famílias de renda média-baixa (10,8%), isto é, com rendimento entre R$ 2.702,88 e R$ 4.506,47.

Para as classes de renda muito baixa, essa variação foi de 10,5%. O menor impacto novamente ficou para aqueles com renda mais alta (9,6%).

"Os dados desagregados revelam ainda que, para as famílias de renda mais baixa, a maior pressão inflacionária nos últimos doze meses reside no grupo de habitação, impactado pelos reajustes de 27% das tarifas de energia elétrica e de 31,8% do gás de botijão", diz o Ipea.

"Para o segmento de renda mais alta, o foco está no grupo de transportes, refletindo, sobretudo, no aumento de 42,7% da gasolina e de 55% do etanol", continua.

Além disso, o instituto pontua que os aumentos nos preços dos alimentos, em especial de 10% das carnes, de 21,7% de aves e ovos, de 44% do açúcar e de 56,9% do café, também provocaram impactos significativos sobre a inflação no período, sobretudo, para as camadas de renda mais baixa.

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