Paulo Guedes, ministro da Economia, deveria prestar depoimento em comissões da Câmara nesta quarta-feira (10)
Washington Costa/ASCOM ME
Paulo Guedes, ministro da Economia, deveria prestar depoimento em comissões da Câmara nesta quarta-feira (10)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou sua ida à Câmara dos Deputados para prestar depoimento sobre sua offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. O depoimento  estava marcado para esta quarta-feira (10), às 10h.

Guedes, no entanto, não deu justificativas para o cancelamento do depoimento e nem procurou os deputados para marcar uma nova data. O depoimento seria comandado pelas comissões de Fiscalização e Trabalho da Câmara.

Em conversa com o presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), o ministro pediu para aguardar o arquivamento da investigação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para prestar esclarecimentos sobre o tema. Até o momento, a PGR não se pronunciou sobre as denúncias contra o chefe da pasta econômica.

Guedes é acusado de manter uma empresa offshore em paraíso fiscal e há suspeitas de que ele obteve vantagens em decisões do Conselho Monetário Nacional.

A convocação de Guedes foi aprovada pela Câmara no começo de outubro, após a divulgação da investigação feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). Além de três comissões, o ministro deverá prestar depoimento no plenário da Casa. A data, no entanto, ainda não foi definida.

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Segundo a investigação Pandora Papers, Guedes é apontado como sócio da Dreadnoughts International, nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. Ele abriu o negócio em setembro de 2014 às vésperas da eleição vencida por Dilma Rousseff (PT) e manteve o negócio após assumir o Ministério da Economia, em 2019.

O ministro negou ter movimentado a empresa durante sua participação no governo federal e ressaltou ter declarado a empresa à Receita Federal. Guedes ainda se comprometeu a comparecer no Congresso Nacional para explicar o caso.

Além de Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também mantinha uma offshore após assumir o comando da instituição. A empresa de Campos Neto, no entanto, encerrou suas operações um ano e meio após o presidente do BC assumir o cargo.

Tanto Guedes quanto Campos Neto poderão ser enquadrados no artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, seja no Brasil ou no exterior, passíveis de serem afetadas por políticas governamentais. Como o ministro e o presidente do BC ocupam cargos que possuem informações privilegiadas, suas offshores configuram conflitos de interesses.

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