Mercado Financeiro reage a aprovação de PEC e interferência do BC em venda de dólares
Juliana Nascimento
Mercado Financeiro reage a aprovação de PEC e interferência do BC em venda de dólares

 O dólar cai ao longo do pregão desta quinta-feira (11), após nova intervenção do Banco Central , que disponibilizou até US$ 1 bilhão no mercado cambial para conter o recente avanço da moeda americana e a aprovação em segundo turno do texto-base da PEC Emergencial . A Bolsa, por sua vez, sobe refletindo o bom humor no exterior, após aprovação do programa de estímulo econômico americano.

O dólar comercial recuou 1,93%, negociado a R$ 5,54. Ontem, o BC atuou injetando US$ 1,405 bilhão no mercado cambial, e a moeda permaneceu praticamente a sessão inteira em baixa. O Ibovespa retomou a marca de 115 mil pontos na tarde desta quinta-feira, com alta de 2,01% por volta de 17h30.

Nesta quinta-feira, o BC fez nova oferta líquida de contratos de swap cambial tradicional, voltando a disponibilizar até US$ 1 bilhão nesses derivativos. A instituição vendeu o lote total de até 20 mil contratos distribuídos entre os vencimentos 1º de junho de 2021 e 1º de dezembro de 2021.

A autarquia também fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em junho e dezembro de 2021.

Reunião do Copom

Na visão de alguns analistas, as atuações do BC sugerem preocupação da autoridade monetária com as apostas em relação a uma alta de 0,75 ponto da Selic (taxa básica de juros) na reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom) .

Hoje, a taxa está em 2% ao ano, o mínimo histórico. Mas a  inflação voltou a acelerar, atingindo 0,86% em fevereiro, pressionada pelos combustíveis, segundo dados do IBGE divlgados nesta quinta-feira .

Em 12 meses, o índice alcançou 5,2%, perto do teto da meta, que é de 5,25% em 2021. Com a inflação mais alta que o esperado, analistas tendem a reforçar as previsões de alta da Selic. O dólar alto também pressiona a inflação.

"Mesmo com a atividade econômica fraca, a elevação dos preços contribuirá para que o Banco Central considere a elevação da taxa de juros antes do que se esperava a fim de manter o nível de preços", explicou em comentários Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura Investimentos.

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O movimento da autarquia em fazer leilões no mercado é natural e ocorre em vários dias. A atuação pode ter causado estranhamento levando em conta que a divisa americana já vinha caindo. Para Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos, esta é uma forma do BC se posicionar frente às expectativas do mercado.

"Esse movimento do BC é para quebrar essa dinâmica da relação do juros com o dólar e decorre da pressão do mercado sobre o BC. O mercado tem feito bastante pressão no BC em relação às suas expectativas sobre os juros e o banco se posiciona, dando a mensagem que talvez a taxa aumente para 0,50%", explica. 

EUA

Nos EUA, os principais índices de Wall Street operavam em alta nesta quinta-feira uma vez que os rendimentos dos títulos nos Estados Unidos recuaram para mínimas de uma semana devido à redução das preocupações com a inflação, enquanto dados mostraram que os pedidos de seguro-desemprego caíram mais do que o esperado na semana passada.

Na semana encerrada no dia 6, os pedidos iniciais do benefício totalizaram 712 mil, em dado ajustado sazonalmente, em comparação com 754 mil na semana anterior, disse o Departamento do Trabalho dos EUA nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam 725 mil solicitações na última semana.

O Dow Jones Industrial Average subia 1,46% , enquanto o S&P 500 avançava 0,96% e o Nasdaq Composite tinha alta de 1,85%.

Alta também nos mercados europeus. Em Londres, o índice FTSE-100 subia 0,04%, enquanto a bolsa de Paris tinha valorização de 0,40% e a de Frankfurt avançava 0,17%.

Votação da PEC emergencial

O texto da PEC foi aprovado por 366 votos a 127. No entanto, ainda restam ser votados os destaques, o que deve ser concluído ainda nesta quinta-feira, na previsão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A PEC permite ao governo encaminhar a MP sobre a volta do auxílio emergencial .

"A aprovação da PEC Emergencial, preservando os gatilhos propostos pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, evitando um potencial risco fiscal no curto prazo, associada a atuação proativa do Banco Central no mercado de câmbio e ainda uma agenda menos carregada no Legislativo," foi citada por Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, como fator de alívio para a taxa de câmbio.

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