Preço dos alimentos puxa inflação no Brasil neste ano, e taxa pode superar os 3%
Ana Branco/Agência O Globo
Preço dos alimentos puxa inflação no Brasil neste ano, e taxa pode superar os 3%

Na avaliação do Banco Central (BC) a inflação subiu mais do que o esperado nos últimos meses, principalmente com a alta dos alimentos , mas a instituição ainda a percebe como um "choque temporário" nos preços. Por outro lado, foi elevada a previsão para inflação em 2020, pela primeira vez em sete meses, para mais de 3% (3,02%). A informação consta na Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa básica de juros em 2%  e foi divulgada nesta terça-feira (3).

Na Ata, o Banco Central lista algumas razões para o recente aumento da inflação, com a continuidade da alta de preços de alimentos e bens industriais, elevação de preços das commodities e dos programas de transferência de renda, que estimularam o consumo. Com isso, o choque deve ser temporário, mas o Copom ressalta que monitora a situação "com atenção".

"Por um lado, a normalização parcial dos preços ainda deprimidos deve continuar, em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade. Por outro lado, espera-se a reversão na elevação extraordinária dos preços de alguns produtos, afetados por redução provisória na oferta em conjunção com um aumento ocasional na demanda".

No cenário analisado pelo Copom, também há uma retomada ecônomica desigual entre os setores da economia. Os mais afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, como o de serviços, apesar de programas como o auxílio emergencial terem estimulado o consumo.

O setor de serviços, na análise do Comitê, deve continuar apresentando ociosidade maior do que os demais setores.

"O Comitê concluiu que a natureza da crise provavelmente implica que pressões desinflacionárias provenientes da redução de demanda podem ter duração maior do que em recessões anteriores".

Retomada

O Copom ainda avaliou que o cenário econômico do país apresenta incertezas sobre o ritmo da retomada, principalmente para 2021, com o fim dos programas de ajuda do governo, como o auxílio emergencial . Esse cenário traria uma retomada "ainda mais gradual" da economia.

"Prospectivamente, a pouca previsibilidade associada à evolução da pandemia e ao necessário ajuste dos gastos públicos a partir de 2021 aumenta a incerteza sobre a continuidade da retomada da atividade econômica".

Além da incerteza doméstica, há imprevisibilidade no cenário externo, na visão do Comitê. A avaliação é que a forte retomada vista em alguns setores produtivos passa a sofrer "alguma desaceleração" devido a uma volta da pandemia em certos países. Além disso, há incerteza quanto à continuidade dos estímulos governamentais.

"A recente ressurgência da pandemia e o consequente aumento do afastamento social em algumas das principais economias podem interromper a recuperação da demanda. Uma possível redução abrupta e não organizada dos estímulos governamentais também adiciona risco à retomada econômica".

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