fome no brasil
Daniel Marenco/Agência O Globo
Lares brasileiros têm mais dificuldade de alimentar em quantidade e qualidade todos os seus integrantes nos últimos anos

A fome e a falta de alimento continuam sendo um problema, agora ainda mais grave, para os brasileiros. Pela primeira vez, o indicador de segurança alimentar — quando não há problemas para conseguir e dividir os alimentos entre os membros de uma família — recuou no país, segundo Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (17).

A quantidade de lares que conseguiam prover alimentos para todos os seus membros atingiu 63,3% em 2018, o menor patamar desde 2004, quando a pesquisa começou. Em um recorte menor, de cinco anos, cerca de 3 milhões deixaram de ter acesso regular à alimentação básica, fazendo o total nessa situação atingir, pelo menos, 10,3 milhões de brasileiros.

Em 2013, ano da pesquisa anterior, eram 77,4% dos lares que tinham segurança alimentar, o recorde da série.

Dos 68,9 milhões de lares no país, 36,7% tinham em 2018 algum problema para garantir qualidade e quantidade dos alimentos para todos os membros da família, a chamada insegurança alimentar .

A pesquisa classifica os lares em segurança alimentar e três níveis de insegurança alimentar (passando desde perda de qualidade em alimentos até a falta de comida para todos os membros do lar, podendo chegar à situação de fome).

A POF mostra ainda que mais de 41% dos 207,1 milhões de habitantes do pais, ou  84,9 milhões de pessoas vivem em casas onde existe dificuldades para colocar comida na mesa.

Assim, 56 milhões estavam em domicílios com insegurança leve (falta de qualidade nos alimentos), 18,6 milhões em domicílios com insegurança moderada (falta de qualidade e quantidade na comida, mas preservando alguns membros) e 10,3 milhões de pessoas em lares com insegurança grave (falta de qualidade e quantidade na comida, podendo chegar à situação de fome ).

Na divisão regional, Norte (10,2%) e Nordeste (7,1%) foram as que tiveram os maiores percentuais de insegurança alimentar grave no total de seus domicílios. Na sequência, estão Centro-Oeste (4,7) e Sudeste (2,9%). A região com a menor incidência deste tipo de insegurança alimentar é a Sul (2,2%).

Peso das desigualdade raciais e de gênero

Os problemas relacionados à escassez ou falta de alimentos ocorrem com mais intensidade em lares cuja pessoa responsável é uma mulher ou uma pessoa parda. Em 2018, 61% das famílias chefiadas por homens estavam na faixa de segurança alimentar. No caso da mulher como chefe, eram 38,6% nesta faixa.

Em relação à insegurança alimentar grave, 48,1% dos lares com a figura masculina como referência estavam nesta situação. Nos lares chefiados por mulher, 51,9% deles não têm qualidade nem quantidade de alimento para toda a família.

A cor da pele também importa na hora de garantir o alimento em casa. Nos lares chefiados por brancos, 51,5% estão em situação de segurança alimentar, percentual que é reduzido para 10% quando a referência é negra e 36,9% para pardos.

Já a insegurança alimentar grave se faz presente em 24,7% dos lares chefiados por brancos, 15,8% quando são negros e 58,1% quando são pardos. Em relação a lares chefiados por amarelos ou indígenas, 1,6% está em segurança alimentar, enquanto 1,4% está em insegurança alimentar grave.

Nos lares com até três moradores, 72,5% estão na faixa de segurança alimentar, contra 58,5% em insegurança grave. Já nas habitações com sete ou mais pessoas, o total é de 1,1% com segurança alimentar, enquanto 4,3% estão em insegurança alimentar grave.

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