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Ansa/Reprodução
Steve Easterbrook, ex-CEO do McDonald's, é acusado de destruit provas de relações sexuais com funcionárias

Oito meses se passaram desde que o McDonald's demitiu seu diretor executivo, Steve Easterbrook , por enviar mensagens com conteúdo sexual (prática conhecida como "sexting") e por manter relações sexuais com uma funcionária. Easterbrook pediu desculpas, saiu com uma compensação de dezenas de milhões de dólares, e a rede de fast food ganhou um novo CEO.

Então, no mês passado, um informante anônimo fez uma nova alegação: Easterbrook teve um relacionamento sexual com outra funcionária do McDonald’s enquanto dirigia a empresa.

Nesta segunda-feira (10), a acusação desencadeou uma rara guerra pública entre a empresa e seu ex-líder: o McDonald's abriu um processo contra Easterbrook , acusando-o de mentir, ocultar provas e praticar fraude.

A ação, impetrada num tribunal estadual em Delaware, alega que o Easterbrook manteve relações sexuais com três funcionárias do McDonald’s no ano anterior à sua demissão, e que ele concedeu um lote lucrativo de ações a uma dessas funcionárias.

O McDonald’s disse que busca reaver as opções de ações e outras compensações que a empresa permitiu que Easterbrook mantivesse no outono passado - um pacote no valor de mais de US$ 40 milhões, de acordo com a Equilar, uma empresa de consultoria de remuneração.

Um advogado de Easterbrook não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

O processo foge do tradicional esquema de "revelar e seguir em frente" que as empresas americanas costumam adotar quando confrontadas com alegações de irregularidades por parte de executivos sêniores.

Vários CEOs perderam seus empregos nos últimos anos após alegações de má conduta sexual, mas na maioria dos casos eles foram embora silenciosamente, e as empresas não divulgaram os detalhes desagradáveis.

Mas, na era de movimentos como #MeToo e Black Lives Matter, mais empresas estão se esforçando para se posicionar como bons "cidadãos corporativos", responsáveis ​​não apenas pelos acionistas, mas também pelos clientes, funcionários e ciosos de seu papel na sociedade.

O sucessor de Easterbrook no McDonald’s, Chris Kempczinski, pediu que a companhia focasse mais em integridade, inclusão social e apoio às comunidades locais.

"O McDonald's não tolera em nenhum funcionário um comportamento que não reflita nossos valores", escreveu Kempczinski em um memorando interno a que o New York Times teve acesso.

Ele acrescentou: "À medida que nos comprometemos com nossos valores, agora, mais do que nunca, é hora de nos apoiarmos naquilo que defendemos e agirmos como uma força positiva para a mudança".

Antes da queda, lucros

O McDonald’s está entre um pequeno número de grandes empresas que publicamente - e com raiva manifesta - perseguem um executivo-chefe que saiu recentemente.

A demissão de Leslie Moonves pela CBS, acusado de obstruir uma investigação interna, é outro exemplo. (Moonves afirma que tem direito a um pacote de indenização de US$ 120 milhões. A disputa está agora em arbitragem.)

Até o outono passado, Easterbrook, natural de Watford, Inglaterra, era considerado uma espécie de salvador no McDonald's. Ele havia trabalhado na empresa por quase duas décadas antes de assumir o comando em março de 2015. A rede de fast-food estava em crise financeira.

Easterbrook simplificou seus negócios, introduziu inovações tecnológicas como pedidos por telas de toque e encantou os clientes oferecendo café da manhã o dia todo. As ações da empresa praticamente dobraram durante sua gestão.

Mas em outubro de 2019 a empresa foi notificada de que Easterbrook tinha um relacionamento impróprio com uma funcionária.

Easterbrook e a funcionária, que não foi identificada publicamente, disseram à empresa que o relacionamento era consensual e não físico; consistia em mensagens de texto e vídeos.

Easterbrook garantiu aos investigadores externos da empresa que ele nunca teve um relacionamento sexual com uma funcionária.

Mesmo assim, o conselho de administração decidiu demiti-lo. Mas o McDonald’s disse em seu processo nesta segunda-feira que o conselho não o demitiu por justa causa por temor de que tal decisão "certamente envolveria a empresa em uma longa disputa com ele".

Em vez disso, o conselho optou por mandar Easterbrook embora "com o mínimo de perturbação possível", e permitiu que ele mantivesse suas opções de ações e outras remunerações.

Mas a demissão do continha uma cláusula importante: se, no futuro, o McDonald's determinasse que um funcionário tinha mentido e realmente merecia ser demitido por justa causa, a empresa tinha o direito de recuperar o pagamento de indenizações.

E-mails explícitos apagados

Assim, no mês passado, depois que o McDonald's recebeu a denúncia anônima alegando que Easterbrook teve um relacionamento sexual com outra funcionária, a empresa abriu uma nova investigação.

Em sua análise no outono passado, o McDonald's não pesquisara completamente a conta de e-mail de Easterbrook; os advogados externos da empresa só olharam as mensagens que estavam no telefone celular fornecido pela empresa. E Easterbrook, de acordo com o processo do McDonald's, apagou certos e-mails de seu telefone.

Desta vez, disse o McDonald’s, seus investigadores realizaram uma pesquisa mais detalhada e, na conta de e-mail de Easterbrook, encontraram evidências de que ele mantinha relações sexuais com três funcionárias no ano anterior à demissão.

"Essa evidência consistia em dezenas de fotos e vídeos de várias mulheres nuas, ou sexualmente explícitos, incluindo imagens dessas funcionárias, que Easterbrook tinha enviado como anexos de mensagens de sua conta de e-mail corporativa para sua conta de e-mail pessoal", disse o McDonald's no processo. A empresa afirmou que os e-mails foram enviados no final de 2018 e no início de 2019.

A empresa disse que as fotos constituíam "evidência incontestável" de que Easterbrook violou a proibição da empresa de ter relações sexuais com subordinados e que mentiu para os investigadores no outono passado.

Enquanto o Sr. Easterbrook estava tendo uma relação sexual com uma das funcionárias, ele lhe deu centenas de milhares de dólares em ações, afirmou ainda a empresa.

"Se Easterbrook tivesse sido franco com os investigadores e não tivesse ocultado evidências, o McDonald's saberia que tinha um motivo legal para demiti-lo [por justa causa] em 2019", disse a companhia na ação judicial.

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