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Arquivo/Agência Brasil
Após queda da Selic a 2%, poupança passa a render menos que a inflação

A mais recente redução da taxa básica de juros, a Selic, de 2,25% para 2% ao ano , na última quarta-feira (5), deixou a caderneta de poupança — e algumas outras aplicações conservadoras — com rentabilidade real negativa, ou seja, abaixo da inflação. Esse cálculo leva em conta a projeção de inflação para o ano. Mas especialistas sugerem outras opções para proteger seus recursos, como o Tesouro Selic.

Segundo estimativas de analistas do mercado, compiladas pelo Boletim Focus, do Banco Central, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano em 1,63%.

A corretora Ativa Investimentos fez simulações de quanto renderiam investimentos conservadores em um ano neste cenário de juros de 2% ao ano e inflação de 1,63%. A poupança com depósitos a partir de 4 de maio de 2012, que tem rendimento de 70% da Selic mais a taxa referencial (TR, atualmente zerada), apresenta ganho de 1,40%. Ou seja, fica 0,23 ponto percentual abaixo da inflação.

"Temos uma taxa de juros muito baixa, mas com uma inflação muto baixa também. Quando tínhamos juros altos, também tínhamos inflação elevada. O investidor precisa sempre ver o rendimento real, mas de fato ele hoje não existe em aplicações de curto prazo", afirma Betty Grobman, especialista em finanças pessoais.

A poupança ainda é uma das piores aplicações. Fica atrás apenas de fundos DI com taxa de administração de 0,5% ao ano.

"Os fundos DI são uma boa opção para manter um dinheiro para o curto prazo, mas, mesmo tendo reduzido taxas, ainda há muitos com esses percentuais que tiram toda a rentabilidade. É preciso ficar atento, porque, às vezes, a pessoa acha que está fazendo bem tirando o dinheiro da poupança, mas pode ir para uma aplicação pior", afirma Fernando Domingues, assessor financeiro da Ativa Investimentos.

Contas antigas ainda valem a pena

As contas antigas de poupança, no entanto, ainda apresentam vantagens: a rentabilidade hoje é três vezes a da Selic. Aplicações até 3 de maio de 2012 têm rentabilidade fixa de 0,5% ao mês, ou seja, taxa nominal de 6% ao ano.

"É a melhor aplicação que se pode ter, com liquidez para o momento. Assim como o FGTS, que rende 3% ao ano sem risco. Quem puder manter é interessante", diz Betty.

Para novas aplicações, mesmo com a Selic em baixa, vale a pena ter investimentos atrelados à taxa básica. Isso porque é preciso ter algum dinheiro em uma aplicação com liquidez, para emergências.

"É fundamental ter uma reserva de emergência, com produtos sem risco de crédito e líquidos, atrelados ao CDI mesmo. Assim, o investidor manterá a liquidez imediata para fazer frente aos seus custos de vida, caso necessário", explica Sigrid Guimarães, sócia e presidente da Alocc Gestão Patrimonial.

A recomendação dos especialistas nesse caso é o Tesouro Selic (para aplicações até R$ 10 mil não é mais cobrada a taxa de custódia da B3), além de fundos DI que não tenham taxa de administração. Mas é preciso ter em mente que esses recursos não terão rendimento real, apenas vão acompanhar a inflação.

"Investimentos que rendam 100% da taxa básica de juros vão praticamente empatar com a inflação no retorno final, após impostos e taxas. Mas, se cumprirem o papel de poder ter resgate imediato serão uma boa aplicação", diz Domingues, da Ativa.

Reserva de emergência

Os planejadores financeiros avaliam que a reserva de emergência deve ser equivalente a entre três e 12 meses de gastos mensais, conforme a segurança da pessoa no emprego e sua propensão a risco. Tendo esse montante garantido, pode-se buscar aplicações mais rentáveis.

Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Agrícola (LCA) são interessantes por terem isenção de Imposto de Renda, e Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de bancos pequenos a médios podem dar rendimento acima de 6% ao ano. São considerados seguros por terem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de até R$ 250 mil por CPF.

Títulos públicos prefixados e atrelados ao IPCA também garantem bons retornos para quem pode deixar o valor aplicado até o vencimento.

"Os títulos públicos têm taxas bem interessantes em prazos mais longos, em cerca de 6% ao ano. Mas é preciso ter em mente que há o risco de as taxas de juros subirem e ser necessário resgatar em um momento em que se perca dinheiro. O ideal é ficar até o final e garantir a rentabilidade. Mesmo que os juros subam mais na frente, garantir agora rendimentos maiores pode ser interessante", afirma Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama.

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