rogério marinho
Antonio Cruz/Agência Brasil
Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, rebateu Paulo Guedes e defendeu aumento de gastos públicos contra a crise

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, é hoje o principal contraponto no governo ao discurso de austeridade fiscal do titular da pasta da Economia, Paulo Guedes. Junto com uma ala dos militares e de ministros próximos ao presidente Jair Bolsonaro, ele tem defendido a ampliação de gastos públicos para acelerar a recuperação da economia.

Em entrevista ao GLOBO , Marinho admite divergências com Guedes desde o esboço do plano Pró-Brasil , que prevê investimentos públicos em projetos de infraestrutura. E diz que é preciso aumentar o gasto em obras neste momento: "Parece que temos uma faca cravada no olho e estamos preocupados com o cisco", diz.

Marinho diz ainda que recebeu de Bolsonaro a missão de olhar com atenção especial para o Nordeste, tradicional reduto eleitoral do PT. "O Nordeste nunca foi propriedade de um partido", afirma o ministro.

Para o ministro do Desenvolvimento Regional, não faz sentido manter o ajuste fiscal como principal mote do governo em um momento tão grave de crise econômica e social. Marinho, assim como parte do Planalto e até mesmo do Congresso, cobra uma postura mais ativa do Executivo, com ações de enfrentamento efetivo à crise, como as obras de infraestrutura pelo País, que geram emprego, melhoram o serviço público, mas, evidentemente, tem alto custo.

Guedes , por sua vez, fala em "redução drástica de gastos" em 2021 e repete que o caminho do investimento público, o desenvolvimentismo, "deu errado no passado", então não pode ser repetido.

Não é de hoje o desafeto de Marinho e Guedes, como admite o ministro do Desenvolvimento Regional. Embora ele reduza a questão a algumas divergências, a disputa entre as ideias de ambos parece ter um novo capítulo. No último, após Guedes se incomodar com o plano Pró-Brasil, Bolsonaro não teve dúvida e disse que o 'superministro' era "o homem que manda na economia", situação que já aconteceu em outras oportunidades. No entanto, com a crise se agravando e Guedes ficando isolado, a questão pode custar caro ao presidente.

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