Brasil Econômico

bolsonaro e paulo guedes
Marcos Corrêa/PR
Jair Bolsonaro decidiu dar chance para Paulo Guedes testar apoio a novo imposto no Congresso

O presidente Jair Bolsonaro, que sempre demonstrou resistência à criação de um  novo imposto nos moldes da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), decidiu dar sinal verde para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, teste a popularidade do tributo sobre transações digitais, a 'nova CPMF', no Congresso. A informação é do blog de Gerson Camarotti no G1 .

Apesar de dar a chance a Guedes, Bolsonaro não deve defender a nova CPMF publicamente, segundo auxiliares. "Se colar, colou. Mas o presidente não vai ficar levantando a bandeira da volta da CPMF ou algo do gênero. Ele tem instinto político", disse um auxiliar de Bolsonaro ao blog de Gerson Camarotti.

No Palácio do Planalto e na Câmara dos Deputados, a sensação é de que a rejeição ao novo imposto deve prevalecer, impedindo sua aprovação, apesar da insistência do Ministério da Economia com a pauta e o apoio do setor industrial. Criar um novo imposto é uma ideia que enfrenta resistência em diversos setores.

A ideia de Guedes é usar a nova CPMF como forma de bancar a desoneração da folha de pagamentos e reduzir outros impostos. Segundo o ministro, seria possível diminuir até 10 tributos . O novo imposto incidiria sobre transações digitais e teria alíquota de 0,2%, tendo como intenção ampliar a base de cobrança e aumentar os itens que seriam taxados, que passariam a ser mais variados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), diz ser  "radicalmente contra" criar um novo imposto e que o aumento da arrecadação deveria vir do crescimento econômico, não da nova CPMF . Ele já chegou a dizer, inclusive, que pode recriar a campanha "Xô, CPMF" , que ajudou a excluir o tributo, bastante impopular, em 2007.

"Se a gente achar que vamos dar mais um jeitinho, criando mais imposto , nós vamos estar taxando mais a sociedade, e aí vamos ter que discutir despesa pública. Você arranjou espaço de R$ 100 bilhões de receita. Vai colocar em qual teto?", questionou Maia. "Não vai passar, na minha opinião, e eu vou votar contra", completou o presidente da Câmara.

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