O presidente do Banco Central ( BC ), Roberto Campos Neto , disse que há um viés de melhora na economia que isso ficou mais claro nas últimas duas semanas. Campos Neto afirmou que a atividade econômica pode vir melhor do que a previsão do BC de queda de 6,4% para 2020.

"Nos parecia que apesar de ter um número de 6,4%, existia uma viés de melhora, e acho que nas últimas duas semanas esse viés ficou mais claro. Tem um começo de recuperação em V e depois a pergunta é o quanto suave vai ser a segunda parte dessa recuperação", disse. 

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

A recuperação em “V” citada por Campos Neto é como se vê a atividade econômica em um gráfico. O primeiro traço é uma queda vertiginosa, seguida de uma recuperação igualmente intensa. O presidente do BC acredita que o Brasil não terá um “V” completo.

"Nós não acreditamos que vai ser um V completo. Hoje a China dá pra dizer que está perto de ter um V completo. Até nos Estados Unidos acho que está difícil dizer isso, a evidência mostra que alguns dados como consumo está subindo em V, mas outras nem tanto", afirmou.

Campos Neto explicou que estatísticas que estão divulgadas, como de tráfego, arrecadação e consumo de energia apontam para uma recuperação melhor. O presidente do BC ressaltou o cuidado com os gastos do governo, que não devem ser permanentes.

Estamos otimistas com a recuperação. Entendemos que muito precisa ser feito, não podemos descuidar do fiscal. O fiscal é super importante. Na conversa que temos com grande parte dos investidores, a questão que sempre predomina seria bom mostrar o quanto antes que você teve um desvio do seu caminho de convergência fiscal e todo mundo entende o desvio e tinha que ser feito dessa forma mesmo, mas precisa explicar depois que vai ter uma convergência lá na frente.

O presidente do BC relatou que nas conversa que ele tem com investidores internacionais, as principais questões são sobre a questão fiscal e de como o Brasil vai lidar com os “invisíveis” que foram descobertos com a política de auxílio emergencial, quais serão os programas de auxílio para essa população.

"Uma preocupação que eu tenho. Eu vejo um facilidade se organizar para gerar programas fiscais e programas de incentivos, mas acho que a saída não vai ser tão organizada, a saída vai ser mais briga,da vai gerar uma vontade do executivo de diminuir, em geral, não só do Brasil, e dos políticos de continuar. Acho que a saída é mais difícil do que a entrada", afirmou. 

Crédito

O presidente do BC disse que deve publicar ainda nesta quinta-feira uma Medida Provisória ( MP ) com quatro novas medidas de liberação de crédito para pequenas e médias empresas.

"Entendemos que é uma medida que é um alcance bom, que tem um componente de baratear o custo de capital dos bancos", disse. 

Campos Neto disse que o crédito para pequenas e médias empresas não chegou da maneira como o Banco Central queria. Ele afirmou que o Pronampe está com desempenho “super bom”, mas está longe do que precisa ser feito e por isso o governo vai lançar as novas medidas.

Imposto sobre pagamentos eletrônicos

Questionado sobre o projeto do Ministério da Economia de instituir um imposto sobre pagamentos eletrônicos, Campos Neto disse que um imposto sobre transação financeira não é "tradicionalmente" querido pelos banqueiros centrais. No entanto, disse que é necessário olhar o que o Brasil tem a ganhar e perder com isso.

"Acho que a ideia do ministro de ter um instrumento para poder fazer um abono, para poder fazer uma desoneração de folha grande é muito relevante", disse. 

Na visão de Campos Neto , a alíquota teria que ser muito pequena para não causar "desintermediação financeira", ou seja, as pessoas deixarem de pagar eletronicamente para evitar o imposto.

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