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Antes concorrentes, Latam e Azul se unem depois da pandemia

A Azul Linhas Aéreas e a Latam Airlines Brasil anunciaram nesta terça-feira (16) um acordo de codeshare para conectar rotas em suas malhas domésticas no país. O acordo também inclui os programas de fidelidade TudoAzul e Latam Pass e seus membros poderão acumular pontos no programa que escolherem. Antes da pandemia da Covid-19, a Azul e a Latam Airlines Brasil atendiam um total de 137 destinos no Brasil, com 298 rotas e 1.632 partidas diárias.

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— Queremos chegar a 200 cidades rapidamente. A parceria é uma forma de ajudar a recuperar a malha aérea brasileira – disse John Rodgerson, presidente da Azul em teleconferência com jornalistas.

Segundo Rodgerson, com o acordo, a Azul poderá chegar a 200 cidades em breve, incluindo capitais. Ele disse, por exemplo, que a empresa não faz voos entre o aeroporto de Congonhas (São Paulo) e Porto Alegre, enquanto a Latam tem nove frequências diárias a partir desse aeroporto. Ele também citou que a Azul não faz voos para a capital do Acre, Rio Branco.

— Nossos passageiros poderão, por exemplo, voar até Brasília pela Azul e depois até Rio Branco com a Latam – afirmou Rodgerson.

O acordo anunciado incluirá inicialmente 50 rotas domésticas não sobrepostas de/para Brasília (BSB), Belo Horizonte (CNF), Recife (REC), Porto Alegre (POA), Campinas (VCP), Curitiba (CWB) e São Paulo (GRU). O viajante que embarcar em voos Azul e Latam na mesma viagem utilizará apenas um tíquete para check-in e despacho de bagagem.

O presidente da Azul disse que a empresa já está retomando gradativamente os voos. Deve voltar a voar Congonhas, na próxima semana, assim como Maceió e Chapecó. Já retomou voos em cidades como Ribeirão Preto e São José do Rio preto, no interior de São Paulo. Rodgerson afirmou que a companhia está testando o mercado.

— Quando a demanda é menor, usamos aviões de oito lugares. Quando há demanda, usamos aeroanves maiores. O mais importante é que estamos prontos para retomar os voos, com máscaras, circulação de ar nas aeronaves – afirmou.

O programa de fidelidade da Azul, TudoAzul, tem 12 milhões de associados, enquanto o Latam Pass tem 37 milhões. O presidente da Azul disse que no futuro o resgate de passagens poderá ser feito em qualquer uma das empresas, mas isso não será possível inicialmente.

O executivo da Azul disse que a ajuda do governo brasileiro ao setor foi muito "humilde". O  socorro do governo às companhias aéreas, anunciado em maio, será de R$ 6 bilhões e se dará através da compra de debêntures conversíveis emitidas pelas companhias. Na prática, o governo se tornará sócio das empresas aéreas. Quanto as empresas se recuperarem, os papéis serão vendidos.

— Só a TAP, companhia de Portugal, que é menor que a Gol, Latam e Azul recebeu uma ajuda de 1,2 bilhão de euros. Então, o socorro do governo brasileiro foi muito humilde. É preciso pensar que trata-se de um empréstimo que será devolvido com juros. Muita gente depende da Azul: bancos, funcionários e o próprio governo. Então todo mundo tem que ajudar – afirmou.

Rodgerson disse que o leasing das aeronaves da empresa não está sendo pago na totalidade, considerando que a empresa está voando com apenas 20% de sua capacidade. Mas isso, segundo ele, já foi negociado com as empresas proprietárias.

Em maio, a Latam pediu proteção contra a falência nos Estados Unidos, o equivalente a uma recuperação judicial, sem incluir o Brasil  no pedido.

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