Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Marcos Corrêa/PR - 1.4.20
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse que vetará a prorrogação do auxílio emergencial motivado pela pandemia do novo coronavírus se o Congresso fixar o valor das duas parcelas adicionais prometidas pelo governo em R$ 600, em vez dos R$ 300 propostos pelo Executivo.

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Atualmente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defende que o valor das duas parcelas adicionais seja de R$ 600.

“Na Câmara, por exemplo... vamos supor que chegue uma proposta de duas (parcelas) de R$ 300. Se a Câmara quiser passar para R$ 400, R$ 500 ou R$ 600. Qual vai ser a decisão minha? Pra que o Brasil não quebre... se a gente pagar mais duas de R$ 600, vamos ter uma dívida cada vez mais impagável. É o veto”, afirmou Bolsonaro.

O auxílio emergencial a trabalhadores informais, desempregados e famílias mais afetadas pela doença foi criado pelo governo no início da pandemia. Inicialmente, a previsão era de que os  beneficiários recebessem até três parcelas no valor de R$ 600.

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Com o prolongamento da epidemia, a equipe econômica refez seus cálculos e prevê o  pagamento de mais duas parcelas, mas no valor de R$ 300.

Segundo Bolsonaro, se o governo pagar mais  duas parcelas de R$ 600 cada uma, isso geraria uma despesa extra no valor de R$ 100 bilhões. O presidente disse que o País precisa ficar atento ao aumento das despesas para evitar uma subida da taxa Selic.

“Se nós não tivermos cuidado, a Selic pode subir, volta a ser o paraíso dos rentistas, o Brasil, o que a gente chama de agiotagem legalizada. A taxa de juros sobe, e cada vez mais o que nós produzirmos de riqueza vai pra pagar juros da dívida. Ou seja, e a desgraça vem aí. Se o Brasil quebrar, pessoal, não tem pra ninguém. Não tem pra ninguém”, disse Bolsonaro.

Apesar da proposta de prorrogar por mais dois meses o auxílio emergencial, o valor do benefício já é motivo de atrito entre Bolsonaro e Maia.

Em entrevista concedida na semana passada, Rodrigo Maia defendeu que o governo mantivesse o valor de R$ 600 nas próximas duas parcelas.

Bolsonaro, por sua vez, rebateu afirmando que aceitaria o valor se deputados e senadores cortassem os próprios salários.

“Se tivermos um programa para diminuir o salário do parlamentar, a metade, grande parte do salário desses parlamentares ser usado para pagar isso aí, tudo bem”, concluiu Bolsonaro.

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